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A importância do estudo da Filosofia no ensino médio, por Vigevando Sousa

أرسلت بواسطة في terça-feira, 4 maio 201014 تعليقات

Há ainda uma grande necessidade de focalizar a importância do estudo de Filosofia no Ensino Médio, visto ser algo resgatado recentemente e que ainda carece de uma maior conscientização quanto à sua importância. A ditadura militar na década de setenta impôs a suspensão do Ensino de Filosofia como mecanismo de controle social, sabendo-se que esta seria uma disciplina que dinamiza as estruturas do pensamento crítico. E, diga-se de passagem, que pessoas que não exercitam a sua criticidade facilmente se deixam iludir por crenças e ideologias de quinta categoria e, portanto se tornam facilmente manipuladas.I

 Aristóteles, sec. IV a.C., afirmava que a filosofia surge do espanto e da admiração. Podemos lecionar a Filosofia abordando acontecimentos comuns do cotidiano, como a violência, drogas, aborto, etc. Já que sua abordagem visa exercitar a capacidade crítica, devemos provocar questões que nos espantem, e causem admiração, por exemplo: Por que se mata uma pessoa para roubar um simples cigarro ou dois reais? Por que o uso do crack de baixo custo e altamente viciante está atingindo também os jovens da classe média alta? Deveria ser legalizado o aborto no Brasil?I

 Sílvio Gallo, um dos maiores estudiosos sobre a especificidade do Ensino de Filosofia no Ensino Médio, afirma que não há participação cidadã sem o uso crítico da razão, isto é, não há como formar verdadeiros cidadãos desprovidos do exercício crítico. Nesse sentido, é importante ressaltar a importância do estudo dessa Disciplina no processo de emancipação pessoal e social. O ensino de Filosofia traz muitos benefícios, tais como; aumenta a capacidade de ler e interpretar textos, contribui para a superação de uma interpretação fundamentalista do que se está lendo, amplia os horizontes através da leitura crítica, aumenta a capacidade de abstração dos conteúdos e contribui para uma maior interação interdisciplinar, etc.I

            Há Estados brasileiros que já adotaram duas aulas semanais de Filosofia por turma. Destaco como exemplo, o Rio Grande do Norte, que percebendo a importância dessa Disciplina, aumentou de uma para duas aulas semanais. Cabe aos Filósofos do Estado do Ceará lutar por um aumento dessa carga horária também, a fim de colocar em maior evidência o ensino dessa Disciplina tão importante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Dada a experiência de vivermos em uma sociedade utilitarista e pragmática, é uma conquista para uma maior valorização da Disciplina de Filosofia o fato de serem colocadas questões envolvendo o conteúdo de Filosofia no Enem desse ano, mas não podemos lançar o nosso olhar restringindo o domínio da Filosofia  apenas para fins utilitários e simplesmente pragmáticos, visto que a proposta maior é o preparo para o exercício da reflexão crítica e para a cidadania.I

 

A importância do estudo da filosofia no ensino médio, por Vigevando A. de Sousa, Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. Graduação incompleta em Teologia pelo Instituto Teológico Pastoral do Ceará-ITEP e Pós-Graduado em Psicopedagogia Institucional pela Universidade Regional do Cariri-URCA. Professor das Escolas Flávio Ribeiro Lima e Ênio Braga de Carvalho

14 تعليقات »

  • Alex Cunha said:

    As áreas que mais carecem de professor no ensino médio são as de física e química. Mas, isso não quer dizer que as outras áreas estejam cobertas. Há, inclusive, não raro, um mascaramento nos dados. Nem sempre as pesquisas governamentais discriminam corretamente a falta de professores em Humanidades. Em muitas escolas não é computada a falta de professor de filosofia, isso porque há alguém ministrando as aulas, mas este professor não é formado na área. Mais uma vez, devemos insistir no ponto: há professor formado (ou até pouco tempo, havia), mas falta qualquer motivação para que volte ao ensino ou ingresse nele. A motivação financeira caiu tanto que nenhuma outra motivação consegue competir com ela e salvar o sistema.

    Junto disso tudo, aparecem soluções que são antes punições aos professores que ajuda ou incentivo. Este é o caso da proposta do governo José Serra, feita sem a discussão prometida com os professores, para a modificação da carreira do magistério (PLC). Serra criou um sistema de exames que mais hierarquiza a carreira, em favor da divisão da categoria, do que traz ganho real. O resultado, é possível de se prever (até por conta da informação dos sindicatos para a sociedade), será o colapso do sistema de ensino paulista antes mesmo do apagão geral da escola pública de ensino médio no Brasil, que é o que se configura no horizonte não para amanhã, mas para daqui a pouco. E isso pode vir mesmo, uma vez que Serra é candidato à presidência e ele insiste em manter o grupo de Paulo Renato, ligado à ideologia conservadora da revista Veja, à frente do seu setor educacional. Assim, esse fracasso estadual poderá se transportar para o âmbito federal. No campo federal, não há como atingir os estados e o ensino médio diretamente, mas a força indireta do MEC, via Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PDE), não é desprezível.

    No campo governamental, a candidata da situação, Dilma Roussef, não mostrou nenhum conhecimento sobre o assunto. Aliás, ela não tem qualquer preocupação mais específica quanto à educação. Assim, tudo indica que, sendo ela a presidente, o MEC ficará novamente ao sabor da política. Será mantido, então, o mesmo comportamento de Lula, que deixou o MEC nas mãos de Haddad mais por falta de opção (em meio à crise do PT com o “mensalão”) do que por uma ação planejada.

    Não há ações em favor de se reverter o apagão do ensino médio no momento. E o futuro político, considerando essas duas candidaturas já postas para a presidência, não mostram nenhum céu azul. Podemos chegar a ser uma grande nação do ponto de vista econômico, como ingleses e astrólogos dizem, mas, certamente, com diminuta capacidade de administração dos nossos ganhos. Talvez, por conta disso, nossa juventude atual venha a não saber o que fazer com o “país do futuro”, e opte por torná-lo rico, com todos tendo bolsa-celular, mas bárbaro, violento e com uma mão de obra tosca e incompetente.

    “Não ao apagão do ensino médio” seria uma boa bandeira atualmente, mas temo ficar carregando tal coisa meio que sozinho, pois a sociedade brasileira, igual aos governos, não está nem um pouco interessada em educação.

  • Vigevando Araújo de Sousa said:

    Caro amigo Alex;
    Boas as suas colocações. Precisamos inovar a educação, divulgar mais o nosso trabalho e dessa forma procurar fazer a nossa parte! Como diz o slogan: “A educação é um compromisso de todos.” A questão da ressignificação e da mudança de mentalidade é algo que cabe a nós Filósofos, a partir de nós mesmos. Pelo exemplo, trabalho e dedicação podemos influenciar às pessoas a perceberem o valor da Filosofia. Caros colegas e amigos, continuem deixando os seus comentários para que possamos interagir. Abraço a todos!

  • Monique Gomes (author) said:

    Eu sempre fui apaixonada por filosofia. Antes de começar a faculdade de letras eu lia mais, comprava livros, inclusive aqueles reciclados em banca de revistas – agora diminuí o ritmo porque a faculdade me consome muito. Desde já, adianto aos leitores, amantes da filosofia e literatura, que essas beldades ganharam um espaço reservado aqui no site (aguardem para breve). Sou veementemente a favor do estudo da filosofia no ensino médio. Eu acredito no poder da educação através da filosofia, dos questionamentos que promovem a quebra de conceitos, de verdades impostas e absolutas. A filosofia é transformadora, é revolucionária. Não tenho dúvidas de que o mundo será melhor, terá pessoas melhores, éticas, com o estudo da filosofia nas escolas.

  • Jonathan F. Gomes said:

    Olá Monique, sou um admirador do que você escreve! Eu sou daqui de Ubajara, faço faculdade de Licenciatura em Física na UVA – Sobral e gostei muito dessa ideia desse espaço de textos filosóficos no Folha Ubajarense. A Física tem tudo a ver com a Filosofia, pois perguntas como: “De onde viemos?”; “Qual a origem da vida?”; dentre outras, sempre foram uma pedra dentro dos sapatos dos físicos. As primeiras explicações para essas perguntas foram feitas recorrendo-se a deuses e por isso são chamadas de mitológicas. Encontramos este tipo de explicação em todas as civilizações antigas, como a egípcia. Porém, na Grécia Antiga alguns gregos não acreditaram nessas explicações, como Tales de Mileto que propôs coisas terrestres para as explicações naturais e que seria a água a formadora de tudo. Através dessa reflexão, a filosofia surgiu no século VI a.C. Porém, a palavra “filosofia” foi usada por Pitágoras no século V a.C. onde significava “amor à sabedoria”. Portanto filósofo é o que questiona, ama o saber, busca explicações dos fenômenos naturais. A Filosofia é dividida em vários períodos, destacando-se o período cosmológico, onde as reflexões estavam voltadas para o Cosmo. Dentre os filósofos desse período, destaca-se Platão que afirmava ser o Cosmo um animal auto-suficiente, tendo alma e corpo e que ele foi criado por Demiurgo, um ser único, eterno e perfeito. Com um ponto de vista definitivamente científico, o físico e filósofo Aristóteles, afirmava que todo o conhecimento surgia através dos sentidos, ao contrário de Platão que acreditava na preexistência das idéias em nosso espírito. Hoje, Aristóteles é considerado o “Pai da Física” e deixou grandes contribuições tanto na Física, como na Filosofia.
    “Todos os grandes pensadores foram grandes perguntadores”, pois como afirma Durant: “A dúvida é o princípio da sabedoria em filosofia”.

  • Monique Gomes (author) said:

    Opa, Jonathan. Desculpe a demora para responder, mas é que estou fechando a venda de banners comerciais para o site e tô meio sem tempo mesmo. Muito legal o seu comentário. A primeira coisa que me chamou atenção na filosofia é esse período dos filósofos da natureza, imagina que os caras não tinham absolutamente nada, nenhum equipamento além do cérebro, e deixaram um legado brilhante pra gente. É demais mesmo. Se quiser, pode escrever um artigo de opinião sobre o assunto. Boa semana!

  • Dayane Rodrigues said:

    Parabéns Vigevando, pela iniciativa!Como professor de Filosofia , é realmente muito importante que você junto aos demais profissionais da área, divulgue a sua importância. A desvalorização da mesma, por parte dos alunos e demais pessoas, necessita de iniciativas como esta sua. É preciso conhecer a sua importância para que haja uma maior valorização e você, está no caminho certo. Tenho certeza de que será por professores como você que a disciplina de Filosofia conquistará seu espaço.Um abraço especial!!!

  • Jonathan F. Gomes said:

    É realmente impressionante este fato dos primeiros cientistas terem deixado tantas contribuições em várias áreas numa época sem recursos tecnológicos. Um exemplo que pode ser citado e de maneira sucinta é o geógrafo/matemático Eratóstenes que mediu pela primeira vez no Egito o tamanho da Terra, cerca de 235 a. C. usando apenas uma estaca vertical e a razão projetada por sua sombra e comparando essas medidas com a distância entre cidades do Egito (no caso, Alexandria e Siena). O valor encontrado por Eratóstenes difere em 5% do valor atualmente aceito para a circunferência da Terra. Observa-se na história da ciência que uma descoberta e uma invenção “mudam” a sociedade. Por exemplo, a introdução da pólvora mudou a estrutura social e política do século quatorze e o conhecimento científico foi favorecido pelo advento da imprensa no século dezesseis.
    Com relação ao assunto da importância do estudo da Filosofia no ensino médio, esta disciplina proporciona muitos benefícios aos alunos, como a construção social da autonomia; o ato de pensar, através de ler, escrever, ouvir o próximo, saber se expressar; ter um pensamento crítico sobre a realidade. No comentário anterior, afirmei que a Física tem tudo a ver com a Filosofia e hoje as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM) pretendem unir as disciplinas, proporcionando uma interdisciplinaridade que motive a aprendizagem, pois a integração oferece meios que possibilitem a seleção de conteúdos de estudos relacionados aos assuntos ou problemas em que estão envolvidos diretamente. Essa integração faz com que o aluno associe os diferentes conhecimentos e perceba as semelhanças e diferenças entre conceitos estudados nelas.

  • rafael amancio said:

    caro Jonathan,

    Pelos comentários tecidos por você, creio que gostaria muito de ler a Obra : FÍSICA E FILOSOFIA , de um dos pilares da Física Quântica, Werner heisnberg. Além disso, é bom sempre vislumbrar os Filósofos da Ciência tais como : Bachelard, Whithead e Thoams Kuhn. Forte abraço,.

    rafael amancio( esposo da Gláucia ) – Fortaleza, Ce

  • Vigevando said:

    Caro Rafael; grato pela indicação do livro! Tudo de bom!

  • Jonathan F. Gomes said:

    Olá Rafael, eu não conheço o livro, mas conheço o autor (Princípio da Incerteza de Heisenberg). Realmente quando conhecemos física, ficamos fascinado por sua abrangência e interatividade com outras áreas, como filosofia. Um dos fatores que faz a maioria das pessoas não gostarem de física é justamente pelo seu caráter quantitativo e o fato dos professores centralizarem seu estudo na matemática (apontada como a maior dificuldade dos alunos). Inclusive eu ainda tenho o jornal do Folha Ubajarense (ano III – edição 39 – janeiro 2009) em que há uma tirinha onde um aluno se referindo a uma prova de física, diz o seguinte: “O mundo está perdido, a gente acorda de 1 sono profundo… E cai num pesadelo”. O fato de fórmulas e problemas substituírem discussões e fazer o aluno enxergar as matérias no seu cotidiano é o que faz eles não gostarem e acharem que essas disciplinas nunca lhes servirão. Com relação ao artigo do Vigevando, concordo também que seja aumentada a carga horária da disciplina de Filosofia, já que o objetivo principal dela é o preparo para o exercício da reflexão crítica e para a cidadania, formando mentes livres e não controladas pela mídia, pelo consumismo.

  • Vigevando said:

    Muito grato Jonathan! Seu comentário é muito pertinente.

  • rafael amancio said:

    Caro Jonathan,

    Esta é minha ótica quanto ao concernente aos aspectos mais matemáticos da Física. É uma linguagem simbólica bem longínqua ao nosso cotidiano, e por isso, de difícil captação, mormente para nós com defasada estrutura educacional.
    Também sou aluno de Física, e já passei também pela Mecatrônica … bem sei os sufocos e os dragões que tive que matar ( alguns outros, na verdade, é que me mataram ).
    Sou bem mais consanguineo a Filosofia e aprecio bastante os Filósofos Físicos, princpalmente o grande Heráclito de Éfeso.
    Gostaria muito de enlaçar um contato convosco ; quem sabe dia desses enquanto de passagem pela inesquecível Ibiapaba, lugar que certamente me apeteceu o gosto pela reflexão, enquanto aí estive, com os grandes filósofos sempre a mão !
    Sou esposo da Gláucia, sua prima; e espero breve encontrarmo-nos !
    Forte abraço !

  • rafael amancio said:

    Caro Jonathan,
    De certo que poderíamos trocar nossos emails para que possamos discutir um pouco da Física e da Filosofia; e também para não tornarmos este espaço um grupo de discussão sobre o assunto.
    Forte abraço,

    rafael amancio
    TECNOMECATRONICA@HOTMAIL COM

  • JACQUELINEDA SILVA said:

    COM ESTES TRABALHOS OU PESQUISAS QUE ESTOU FAZENDO ME DEU GRANDE VONTADE DE VOLTAR A ESTUDAR FAZER UMA FACULDADE ATE

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