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A falta de ética profissional, por Monique Gomes

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 17 maio 20107 تعليقات

Os dicionários apontam o significado de ética como: “1. Parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. 2. Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão”. No entanto, existe uma determinada profissão em que a falta de ética predomina e se propaga como um câncer. Refiro-me aos advogados.I

É fato que não se pode rotular todos os profissionais. Há advogados e advogados, assim como há padres e padres… Mas se a falta de ética fosse uma premissa para o universitário entrar numa universidade, será que haveria tantos profissionais fazendo juz àquelas piadas de advogados? Em que momento da trajetória desse profissional, ele se corrompe aos anseios da inverdade?I

Todos os réus, por lei, tem direito a defesa. Isso é certo. O pior assassino tem o direito de ter alguém que responda por ele e busque reduzir a pena, mas um bom profissional deve respeitar as leis, acima de tudo seus princípios. Jamais buscar meios ilícitos e omitir a verdade para favorecer o culpado, como fez o advogado dos Nardoni no caso Isabela que, ao invés de simplesmente cumprir o papel do profissional, usou de uma retórica absurda para tentar persuadir a todos.I

Ontem, em pronunciamento nacional, foi a vez de Jair Leite Pereira, advogado de Vera Lúcia Gomes, a promotora que espancou uma criança de 2 anos (foto acima). Mesmo com as gravações, as marcas de espancamento na criança e o depoimento dos vizinhos, o advogado negou todas as acusações, inclusive as de tortura.  “Quando o réu tem a intenção, o pai, a mãe, ou o ascendente, tem a intenção de educar, de impor as suas condições de educação a uma criança, a intenção dele não é torturar, é fazer que a criança cumpra as suas obrigações”, afirmou.I

 
 
 

Criança agredida pela promotora

Tão repulsiva como a atitude da promotora, uma mulher aparentemente esclarecida que adota uma criança e comete essas atrocidades, é a atitude antiética do advogado. É lamentável que alguém tenha valores tão distorcidos e que tenha esse olhar tão parcial e favorável ao culpado.I

 

 

 

A falta de ética profissional, por Monique Gomes,  Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, estudante de Letras com hab. em Português pela UFPB, repórter fotográfica, redatora e Editora do Jornal Folha Ubajarense.I

7 تعليقات »

  • Pedro Henrique said:

    Artigo 5º da Constituição Federal

    Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

    LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

    LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

    LVlI – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

    Conceito de ampla defesa: também conhecido como princípio da amplitude de defesa, vem a ser o direito de a defesa usar livremente de todos os recursos lícitos no exercício de suas
    funções. Este princípio deve abranger a defesa técnica, ou seja, o defensor deve estar devidamente habilitado, no caso brasileiro, nos quadros da OAB, a defesa efetiva, ou seja, a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo e, em alguns casos, a ampla defesa autoriza até o ingresso de provas favoráveis à defesa, obtidas por meios ilícitos, justificada por estado de necessidade.

    Como podemos verificar nos incisos acima, o direito à defesa é uma garantia fundamental previsto na Constituição.
    Como acadêmico da faculdade de Direito não creio ser justa a qualificação negativa dos profissionais que dedicam-se à defesa dos acusados em processos penais, uma vez que este é o seu trabalho, tão dígno de respeito quanto qualquer outra ocupação.
    No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites da lei (vide Lei 8906/94 – Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil).
    Portanto, não cabe às pessoas discriminarem o profissinal no exercício de suas atribuições, mas sim ao Poder Judiciário julgar o caso concreto da forma mais coerente em relação às leis brasileiras, pois se todos os processos criminais fossem analisados sob a imparcialidade do clamor popular estaria aberta uma verdadeira temporada de “caça às bruxas” neste país.

  • Monique Gomes (author) said:

    Opa, Pedro. Como eu citei no texto, É fato que não se pode rotular todos os profissionais. Há advogados e advogados, assim como há padres e padres…
    Suponho que você seja estudante de direito. Certamente você será uma exceção ao tipo de advogado ao qual me referi. Obrigada e Boa semana

  • Pedro Henrique said:

    Monique, considero louvável seu artigo, pois infelizmente esta profissão está contaminada pelos maus profissionais. A ética é sem dúvida fundamental quanto ao desempenho de quaisquer profissões, seja advocacia, magistratura, medicina… só quis salientar com os artigos e incisos acima citados o fato de que o advogado, no exercício de sua função, não necessariamente concorde com os atos praticados por seus clientes. Agora, se a lei permite ao infrator a defesa, cabe ao advogado agir de acordo com a norma, sendo justo em relação ao ordenamento jurídico, fiel ao cliente por ele representado, e ético em relação a sociedade.,

  • Vigevando Araújo de Sousa said:

    Considero muito interessante a profissão de Advogado. Percebo que o senso comum já rotulou essa profissão no sentido pejorativo. Mas hoje vejo que até mesmo, os advogados que defendem não o crime, mas a pessoa que o cometeu como é o caso do advogado de Vera Lúcia Gomes; cumpre essa ampla defesa por questões técnicas e objetivando o processo de investigação da verdade, e que esta verdade seja mostrada também para as pessoas de forma clara, sabendo-se que as pessoas do “Senso Comum” são mais parciais. Essa dialética (opiniões e posições contrárias) cumpre, ao meu ver um aspecto técnico de busca por uma maior racionalidade e imparcialidade sobre o caso e supostamente a tentativa de uma maior humanização que procura compreender a situação contextual do infrator em uma complexa situação. Para a maioria das pessoas que simplesmente analisa o caso de forma parcial e descontextualizada (sem antes ver a situação complexa do infrator) se torna na maioria das vezes mais fácil julgar de forma radical o caso em si. As leis partem do “Senso comum”, mas não podem parar neles. No meu ponto de vista há sempre um ideal maior que deve ser alcançado. E é essa visão humanística da racionalidade que está por trás disso. Embora saibamos que também há profissionais em todas as áreas do conhecimento humano que não imcorporaram essa lógica, é necessário romper com o “preconceito” com relação ao profissional da área jurídica.

  • Ricardo said:

    Assisti ao julgamento do casal nardoni pela televisão e não gostei do comportamento do advogado da defesa. O caso da promotora não acompanhei, mas lendo essa frase que o advogado dela disse me causa espanto, ele praticamente disse que a atitude da promotora foi um ato de amor a filha. não podemos tapar o sol com a peneira, já muita corrupção e oportunismo no mundo dos advogados,sim

  • Monique Gomes (author) said:

    Nesse caso eu discordo do Vigevando. O senso comum é o que todo mundo diz e pensa, é o pré-conceito, o pré-juízo. Estamos diante da seguinte situação: uma criança foi gravemente agredida e ferida (vou procurar inserir a imagem junto com o artigo). Diante das provas cabais como gravações em áudio que comprovam as agressões por parte da promotora a uma menor, totalmente indefesa, a questão que está sendo posta em cheque é a atitude do advogado em persuadir a justiça dizendo que “a intenção dela não foi torturar, mas fazer com que a criança cumpra as suas obrigações”, como se fosse normal uma mãe agir daquela maneira para que a criança se alimentasse.

  • Vigevando Araújo de Sousa said:

    Monique; mesmo que o advogado de Vera procure contrariar a tese da promotoria, as fotos e provas são evidentes de que realmente a menina realmente foi espancada. Isso não se pode negar! O que causa mais indignação na poulação é por se tratar de uma criança, assim como no caso da Isabela Nardoni. Mesmo que o advogado de defesa cumpra o papel técnico de contrariar as teses, tenho a certeza de que a justiça será eficaz, principalmente porque chegou à mídia. Quando me referi ao advogado que defende a delinquente e não à delinquencia em sim, (aspecto importante), defendo que a verdade não é algo estático e absoluto. Há muitas versões! O advogado de defesa cumpre um papel importante nas antíteses como fundamento de investigação e procura da verdade e que portanto, esta se amplia ao passo que sejam apresentadas teses e antíteses, e finalmente possa se chegar a uma síntese bem mais ampla, contextualizada. Certamente muita gente defende a pena de morte nesses casos. Mas não podemos esquecer de tantos inocentes que sofreram a pena de morte no passado e que em dado momento eram tidos como vilões e a história nos ensinou diferente. (Jesus Cristo é um caso típico). No entanto temos que refletir que nem sempre àquilo que acreditamos estar convictos que seja, realmente é. A verdade é sempre relacionada a algo, e tem que ser buscada num processo em movimento, e concomitantemente a essa situação temos um processo de julgamento em movimento como uma ação investigativa com todas as teses favoráveis e contrárias que seja.

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