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Disléxico, agressivo e deprimido, por Vicente Martins

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 17 maio 2010لا تعليقات

Há um jargão que nos lembra os velhos tempo do Programa do Chacrinha: quem não se comunica se trumbica. A comunicação eficaz é importante no mundo de competitividade. A leitura e a escrita são duas ferramentas também imprescindíveis para a imersão do cidadão na sociedade do conhecimento. E o que ocorre então com os que fracassam no campo da linguagem? Estudos mostram, por exemplo, que um leitor deficiente, em particular, o chamado disléxico, em idade escolar, geralmente, triste e deprimido pelo repetido fracasso em seus esforços por superar suas dificuldades e, em situações mais extremas, mostra-se agressivo e angustiado.I

Dislexia é uma dificuldade específica e persistente em leitura. Por isso, palavras como tristeza, depressão, fracasso, esforço, agressividade e angústia parecem fazer parte do dicionário de uma pessoa com dislexia. Decerto, a tristeza do disléxico ocorre à medida que diante da leitura deficiente é conduzido à falta de alento, desânimo, desalento, esmorecimento.I

À medida que a dislexia persiste, os leitores limitados no acesso ao mundo da leitura tornam-se melancólicos, desanimados e vivem, em sala de aula, em estado de aflição.I

Triste, o disléxico tende a se tornar depremido. A depressão dos leitores com dificuldades persistentes em leitura mergulham, ao longo dos anos, na escola, em um estado de desencorajamento, de perda de interesse, que sobrevém, por exemplo, após perdas, decepções, fracassos, estresse físico e/ou psíquico, no momento em que o indivíduo toma consciência do sofrimento ou da solidão em que se encontra.I

A dislexia é, por isso, interesse também da psicologia clínica e psiquiatria, uma vez que leitores deprimidos têm   problema psíquico que se exprime por períodos duráveis e recorrentes de disforia depressiva, surgindo concomitantemente com problemas reais ou imaginários ou com experiências momentâneas de sofrimento, podendo ser acompanhado de perturbações do pensamento, da ação e de um grande número de sintomas psiquiátricos.I

Educandos com dificuldades específicas em leitura apresentam, em geral, sentem-se fracassados ou, como os americanos dizem,perdedores, uma vez que, diante do texto escrito, sem consciência fonológica ou conhecimento alfabético de sua língua, não ter êxito ou fluência leitura; falham na leitura em voz alta, e partir daí, frustram-se diante dos textos escolares, em seus diversos gêneros, especialmente os textos poéticos.I 

Todo esse quadro de dificuldades e fracassos conduzem os leitores disléxicos à agressividade e à angústia. Há uma relação muito contígua entre dislexia e agressividade à medida que os disléxicos não tendo êxito no processo leitor tendem, dentro da visão psicanalítica de segundo Sigmund Freud (1856-1939), a  manifestar comportamentos reais ou fantasiosos que objetivam prejudicar, destruir ou humilhar o outro.I

Na teoria da psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960), a dislexia persistente tem a configurar uma força que promove uma radical desorganização e fragmentação da psique. Assim também ocorre entre dislexia e angústia, esta, entendida como  estado de ansiedade, inquietude; sofrimento, tormento, manifesta, durante a leitura em voz, em um  estado de excitação emocional determinado pela percepção de sinais, por antecipações mais ou menos concretas e realistas, ou por representações gerais de perigo físico ou de ameaça psíquica.I

 

 

Disléxico, agressivo e deprimido, por Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. E-mail: vicente.martins@uol.com.br

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