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A vida imita a arte ou a arte imita a vida?, por Ronaldo Fontenelle

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 24 maio 2010تعليق واحد

Esse ditado “A arte imita a vida”, creio eu, é de conhecimento geral. É um daqueles ditados que nós usamos quando ouvimos certas estórias de vida as quais de outra feita so aconteceriam nas telas do cinema ou em novelas.I

A vida é mesmo mestra em dramaturgia, todos nós temos nossas próprias estórias. No meu caso a vida tem sido “prolífera” em suas constantes “super” produções!I

Ja protagonizei todos os gêneros, da comédia rasgada, ao horror e claro muito, mas, muito drama!!II

Quem não viveu um bom drama pessoal? Todos nós, sem excecão, passamos por  infortúnios e são eles nossos melhores professores , ou pelo menos deveriam ser!I

E o drama pode também ser cômico, pois, o que para uns é desgraça para outros é graça. Querem ver um exemplo?I

Eu tenho uma amiga que num momento de desespero financeiro e afetivo, resolveu se matar. Gastou suas “últimas” horas de vida vedando todas as frestas das janelas e porta do seu kitnet em São Paulo.I

Ao terminar, tomou um banho, fumou um cigarro e engoliu um tranquilizante, crente que seriam aqueles seus últimos momentos, mergulhada no turbilhão de desespero que se encontrava.I

Foi pra cama e deitou-se olhando para o teto, chorou copiosamente se questionando porque a vida tinha sido tão cruel com ela, após algumas horas, as “últimas”, adormeceu!I

Despertou com uma luz forte queimando seus olhos e pensou: Meus Deus, eu morri mesmo e estou no céu! Um tanto zonza pelo efeito do comprimido, aos poucos percebeu que a luz vinha da janela e que ela esquecera de fechar a cortina na noite passada.I

Levantou-se e caminhou até a minúscula cozinha. Dirigiu-se ao fogão, pensou que assim como esquecera de fechar a cortina da janela, talvez não tivesse aberto a válvula direito.I

Passou as mãos trêmulas pelas válvulas do fogão, checou a mangueira e por fim chacoalhou o botijão de gás! Percebeu então que durante sua “última” noite de vida, o gás, o agente causador de sua morte, aquele que a livraria de todos os problemas insolúveis, havia acabado!I

Sentou-se no chão da cozinha e riu até nao poder mais! Deu graças a Deus, pelo infeliz do gás ter terminado. Levantou-se, sacudiu a poeira, e deu a volta por cima!I

Hoje rimos muito desse drama cômico. Sempre que nos encontramos essa estoria vem à tona!I

Tambem tenho os meus dramas cômicos e um deles com gás também, pasmem!!!I

Antes de imigrar para o Canadá, eu fui comissário de bordo. Essa profissão é uma fonte inesgotável de estórias de todos os gêneros, prometo um dia escrever sobre algumas delas.I

Fui comissário por alguns anos e quando a companhia faliu, eu tive de me virar com o que pude. Passei a vender bolsas, como havia começado recentemente não tinha ganhado nenhuma grana e estava, como ainda estou, esperando receber meus direitos de rescisão de contrato.I

Saí naquele dia para visitar uns clientes em uma cidade vizinha a Campinas, onde fui criado. Até agora não tinha dito que sou nascido em Ibiapina e que morávamos em Carnaubal na época em que fomos viver em São Paulo, pois bem, sou um Ibiapinense, ingrato, devo confessar! Estive em Fortaleza uma centena de vezes e nunca fui a Ibiapina, nem a outro lugar qualquer do Ceará.I

Voltando ao drama, dirigia de volta a Campinas no final da tarde, quando o carro quebrou. Os poucos créditos que tinha no celular foram gastos na secretária eletrônica do mecânico. Estava desesperado sem nenhum “puto” como se diz, ou acredito que digam aí no Ceará, eu ouvia isso muito dos meus pais.I

Deixei o carro no acostamento e saí pelas ruas atrás de um filho de Deus que me deixasse usar o telefone, achei uma fábrica , quase me ajoelho nos pés do segurança para me deixar usar o telefone da guarita!I

O cara muito de má vontade, por fim me deixou ligar para o mecânico.I

Alô! Brito auto-mecânica?I

É sim!I

Brito, é você?I

Sou eu, quem fala?I

Brito, pelo amor de Deus, sou eu Ronaldo!I

Ronaldo de onde?I

Nesse momento eu quase digo a ele de onde, mas, como estava mais feliz do que criança na noite de Natal, por ouvir a voz dele , relevei.I

Brito, sou eu o Ronaldo comissário!I

Ah, e aí cara tudo bem?I

Tudo bem o caramba Brito, eu tô aqui na baixa da égua, com o carro quebrado e sem dinheiro pro reboque, me ajuda pelo amor de Deus!I

Resumindo, o Brito mandou o reboque e uma hora depois eu estava indo pra casa dentro do meu carro em cima do caminhão. Era uma tarde linda, fiquei ali olhando o por do sol, tentando ver o lado positivo da coisa.I

Chegamos à oficina e deixei o carro lá para arrumar, o pagamento é óbvio ia ficar para depois. Caminhei da oficina até meu apartamento que por ironia ficava num bairro muito bom de Campinas, era o último resquício do tempo das vacas gordas.I

Estava literalmente morto de fome, fui direto a cozinha. Abri os armários e como que “surpreso” percebi que não tinha nada além de um pouco de arroz.I

Fui à geladeira, quem sabe ali não haveria algo? Ledo engano, só encontrei dois ovos! A fome aumentava e resolvi não perder tempo, não seria aquilo que iria me por pra baixo!I

Piquei a metade da cebola que achei na geladeira, e lavei o arroz, liguei o som bem alto e voltei ao fogão.I

As cebolas já estavam dourando na panela e me preparava para por o arroz, a fome a essa altura era igual ou pior do que a da seca do 15! Outra do meu vocabulário “cearês”. Minha mãe falava muito dessa tal seca do 15, quando queria nos chantagear e fazer-nos comer coisas que não gostávamos. Ela dizia: Vocês são criados com fartura e não dão valor, minha mãe dizia que na seca de 1915 as pessoas comiam a pele do próprio corpo!I

Depois de ouvir isso, você come até tijolo, meu amigo!I

Pus o arroz na panela, já olhando para o relógio pra ver quanto tempo demoraria para que eu pudesse saborear aquele lauto jantar de arroz e ovo!I

De repente, após por a água para a fervura, ouvi um Puff! A janela estava aberta e ventava. Pensei que o vento havia apagado o fogo.I

Voces já sabem onde vou chegar, é isso aí! Tentei inutilmente acender o fogo, mas, o gás, o maldito gás, HAVIA ACABADO!I

Assim como minha amiga Rívia, me sentei no chão da cozinha. Ali, mudo, por alguns minutos, quase uma eternidade pra ser preciso, pensei a que ponto eu havia chegado e no dia miserável que tinha tido.I

Nao pude me conter e ri! Ri incontrolavelmente por uma meia hora. A fome?I

Sei lá, havia passado!I

Tenho certeza que todos os que estão na faixa dos quarenta devem ter tomado muita gemada quando crianca, gemada era uma especialidade da minha mãe, era expert!I

Levantei, bati as claras em neve, juntei as gemas e um restinho de açúcar, aquele que empedra no final, sabe como é?I

 Tomei a gemada, senti-me mais forte e pude ir à casa de uma amiga que morava perto, pra que servem os amigos afinal?I

Rimos muito da minha estória, claro que depois de ter enchido a barriga com a comidinha dela!I

Ela me disse, que se alguém tivesse contado aquilo pra ela, ela provavelmente não acreditaria, parecia coisa de filme!I

Aí eu respondi, com a boca cheia de goiabada: A arte imita a vida, minha amiga!I

É isso aí pessoal, é só isso por hoje. Não desistam nunca!I

Não sabemos com certeza se a arte imita a vida, sabemos no entanto que pra viver a vida, precisamos de arte!I

Viver é a maior arte de qual temos conhecimento!I

Ate a próxima.I


A vida imita a arte ou a arte imita a vida?, por Ronaldo Pimenta Fontenelle, natural de Ibiapina-Ce, residente no Canadá, Gerente operacional, Ensaísta, Roteirista de Cinema e TV

تعليق واحد »

  • Clesivaldo Alves said:

    Caro Ronaldo
    De uma tacada só fomos presenteados com dois “causos” bem interessantes. Imagine o que virá com o estoque que está na reserva. Para falarmos de outro assunto gostaria que você me informasse seu endereço eletrônico. O meu é clesiii@uol.com.br

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