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A Leila Lopes somos nós!, por Ronaldo Fontenelle

أرسلت بواسطة Monique Gomes في terça-feira, 1 junho 2010لا تعليقات

Você deve estar se perguntando: – Que maluquice é essa?I

Hoje pela manhã, ao me sentar a mesa para o café, olhava  pela janela o movimento do mundo.I

Do alto do 12o andar, pode-se vislumbrar um horizonte um pouquinho mais amplo.  O céu, meio avermelhado ainda pelas luzes da aurora causou como sempre uma grande impressão em mim.I

Acredito que esses dois momentos do dia, a aurora e o crepúsculo, são de uma profundidade inexplicável. Por isso a igreja  seguiu a tradição hebraica das oracões matinais e vespertinas.I

São momentos que nos remetem a um “sentir” a eternidade . São momentos que trazem grande incerteza. E na incerteza o homem se volta ao místico, ao transcendente.I

Na noite anterior havia lido algo sobre o suicídio de Leila Lopes, e ao lembrar-me dela naquele momento, senti certa dificuldade em engolir meu café.I

Nao vou descrever o curriculum da Leila aqui, todos nós  sabemos da sua trajetória. Quero, entretanto, ler ou tentar ler , o que está escrito nas entrelinhas dele.I

Leila Lopes, personificou a  condição em que todos nós vivemos na atualidade. Ela batalhou essa luta titânica , que  e a luta para pertencer, para fazer parte.I

E todos nós, em maior ou menor escala travamos a mesma luta.I

São diferentes e múltiplos os campos de batalha . Influenciados por uma mídia corrompida e vazia, nos tornamos os peões desse tabuleiro de xadrez, no qual nunca seremos vencedores.I

Somos empurrados de um lado a outro, lobotomizados, bombardeados de dia e de noite por ideias , sugestões, novas técnicas , novas pesquisas, feitas por “doutores” de micro-ondas das mais variadas disciplinas científicas.I

Hoje, “doutorado” no Brasil, virou mercadoria de feira livre!I

Nessa luta desigual a ciência está em muitas ocasiões se aliando com o inimigo.I

Na confusão generalizada  há os que procuram se afastar da multidão para poderem ter uma visao panorâmica da situação. Nem sempre é possível, muito poucos escapam do buraco negro que engolfa tudo ao seu redor.I

Pensamos erroneamente que gozamos de liberdade, somos  no entanto, escravos de corpo e de alma! Não pode haver pior escravidão do que a nossa.I

A  dieta balanceada se tornou em uma sucessiva onda de “soluções” rápidas para perda de peso. Dentre as que tenho conhecimento algumas são hilárias.I

Tem a dieta do abacaxi, a da Lua, a do sopão da Adriane e por aí vai.  Lia outro dia sobre a mais nova que está na moda em Hollywood, a da comida de bebê!I

O exercicio físico, que a priore deveria nos trazer bem estar, auto-confianca e nos ajudar a compensar os efeitos causados pela natureza e pelo  estresse, passou a ser tortura.I

Ir a academia é para muitos motivo de trauma psicolóogico por não poderem fazer parte do grupo seletíssimo dos eleitos pela nem sempre justa mãe Natureza! Pessoas se tornam fantoches nas mãos de treinadores ávidos por torná-los merecedores do título de cidadão de um mundo bizarro e ironicamente disforme.I

A beleza é comprada aos miligramas ou mililitros, rostos que outrora eram singelos e naturais, transformam-se em máscaras amorfas e medonhas.I

E o mundo do superlativo! Seios grandes, lábios desproporcionalmente carnudos.I

Às vezes ao caminhar pela rua observo o ir e vir das pessoas. A esmagadora maioria, leva consigo seu mp3 ou 4 ou será o 5? Falam nervosamente pelo seu Blackberry, mandam mensagem de texto ou checam mensagens recebidas.I

São os escravos da modernidade, não tem mais alma, venderam suas almas, não ao Diabo, mas, as companhias telefônicas e afins.I

O Diabo do medievo também se modernizou!!I

A morte de Leila Lopes é a nossa morte, e a morte da nossa sociedade. Numa carta deixada aos familiares ela diz ter vivido uma vida boa, plena, ter sido bem sucedida profissional e financeiramente.I

Leila disse que não via seu ato como suicidio. Ela  só queria parar. Estava cansada, eram as contas para pagar, era a batalha que não tinha fim.I

Como era vaidosa, não  apelou para uma morte mais violenta e mais rápida, talvez por medo de destruir o que ela idolatrava cegamente, o corpo!I

O veneno de rato foi seu algoz. Leila pode não ter pensado nisso conscientemente mas, sendo ela um membro da nossa espécie e de certa maneira nos representando a todos, usou o veneno certo para matar aquilo que a atormentava.I

No final da carta ela dá sua justificativa para o ato.I

Disse que não queria envelhecer, que a velhice da mãe tinha sido muito penosa e que não queria passar pelo mesmo.I

No mundo de Leila a velhice, a falta de “beleza” era imperdoável. Ela sabia que naquele mundo, não haveria lugar para uma mulher de meia idade que não podia arcar com o alto custo para poder continuar merecendo o título de cidadã. Leila sucumbiu, sugada pelo buraco negro.I

Infelizmente nao soube se desvencilhar dos tentáculos que a prendiam, não viu  que tinha muito para oferecer, só por ser ela mesma.I

Quantas Leilas já não se foram desde então? Quantas não estão prestes a ir?I

A morte é definitiva, não se pode alterar, o que se pode alterar é a vida.I

E o que é que nós estamos esperando para fazê-lo?I

Descanse em paz, Leila.I

 

A Leila Lopes somos nós!,  por Ronaldo Pimenta Fontenelle, natural de Ibiapina-Ce, residente no Canadá, Gerente operacional, Ensaísta, Roteirista de Cinema e TV

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