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A educação através do cinema, por Monique Gomes

أرسلت بواسطة في quarta-feira, 2 junho 20108 تعليقات

Recentemente foi aprovado um projeto de lei que obriga as escolas públicas a exibir mensalmente filmes nacionais para os alunos. Demorou. Eu sou do tipo que acredita ser possível extrair conhecimento até mesmo de uma revista em quadrinhos, que dirá de um filme, uma ferramenta audiovisual extremamente importante para exercitar o senso crítico do telespectador.I

 

A proposta, feita pelo Senador Cristovam Buarque, é de fato relevante, mas não deveria permanecer limitada ao uso de filmes nacionais. Entendo que a intenção é fomentar o sentimento de pátria, cultura e historicidade, no entanto, existem excelentes produções americanas que não devem ser ignoradas.I

 

Imagine a seguinte cena: numa sala de aula, a professora tenta conter a rebeldia dos alunos, muitos deles membros de gang ou ex detento. A turma se divide em pequenos grupos: brancos, negros, japoneses, cada um no seu “território”.  Um dos garotos desenha um colega negro com lábios exageradamente avantajados e o papel passa de mão em mão provocando a risada dos demais. Numa sacada de mestre, a professora pede que todos fechem os livros e começa um discurso sobre um desenho como aquele que satirizava a aparência dos judeus. Ela conta que o desenho foi publicado em jornais e a partir daí se desencadeou um movimento preconceituoso contra a aparência de judeus e negros, gerando consequências como o holocausto, que dizimou milhares de pessoas, brutalmente assassinadas simplesmente por causa de suas aparências. Essa história aconteceu em ‘Escritores da Liberdade’, um filme que comprova a falência dos métodos tradicionais de ensino. Hoje, sabemos que é preciso ir além da sala de aula. Uma educação que não exercita o ato de pensar, com todos os seus riscos, tem como efeito o não estou nem aí’.I

 

Baseado em fatos reais, a professora Erin pegou uma situação problema e a transformou na oportunidade de trabalhar leitura e letramento através de livros que falavam de gangs ou dos horrores da guerra, como o livro ‘Diário de Anne Frank’, documento registrado por uma adolescente na época da 2ª guerra quando ela e outros judeus viviam escondidos durante a ocupação nazista. O tema despertou o interesse da turma, que desenvolveu vários projetos, inclusive um livro contando a história de cada um, registrado no diário a pedido da professora. Muito mais que um método a história ressalta a transformação do ser humano, a quebra de paradigmas, o aborto do preconceito, da exclusão social, e ainda a perseverança tão conhecida entre aqueles que sabem que não existe mérito sem sacrifício. Escritores da Liberdade é o tipo de filme que deve ser assistido por alunos e professores.I

 

 

 

 

A educação através do cinema, por Monique Gomes,  Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, estudante de Letras com hab. em Português pela UFPB, repórter fotográfica, redatora e Editora do Jornal Folha Ubajarense.I

8 تعليقات »

  • Vigevando Araújo de Sousa said:

    Caríssima Monique, acredito ser louvável a iniciativa de passar filmes nas escolas. Até por que diversifica mais as aulas e a arte cinematográfica fascina, emociona, e diverte. Mas, não podemos esquecer o lado negativo disso tudo também. Precisamos olhar esses filmes com um olhar crítico. Sabemos que existe um conteúdo ideológico muito forte em muitos filmes, principalmente os filmes norte-americanos. Muitos deles passam ao telespectador uma perspectiva etnocêntrica avassaladora; devido ao nacionalismo exacerbado por parte dos norte-americanos, ficamos com a sensação em assistir tais filmes é de que eles são os heróis da história da humanidade e todos os que estão contra eles são os vilões. Também ficamos com a falsa sensação de que o vilão sempre saíra derrotado, deixando a sociedade com a falsa impressão de uma igualdade, um certo conforto e conformismo. Essa talvez essa seja uma explicação cabível para o complexo de inferioridade de muitas pessoas aqui do Brasil, que se comparam aos norte-americanos se sentindo, muitas vezes, inferiores e se comparando aos africanos podem se sentirem superiores do ponto de vista étnico, econômico e social. Tudo isso ocorre devido ao forte conteúdo ideológico das informações que a televisão nos repassa. Não é à toa que a coca-cola é o produto mais conhecido e consumido do planeta. A propaganda tem o poder de fazer uma lavagem cerebral nas pessoas. A bandeira dos EUA está implicitamente na roupa do “Homem-Aranha”, da “Mulher Maravilha”, nos trajes do “Super-Homem”,etc. Desde crianças aprendemos a amar os EUA à força. Pois está no nosso inconsciente coletivo que eles e o sistema capitalista é o melhor para o mundo. O filme do Rambo com Silvester Stalone é um exemplo disso.Enquanto o processo de globalização cada dia aumenta a disparidade entre ricos e pobre também aumenta. A humanidade nunca se viu com tantos problemas ambientais devido a uma cultura consumista e hedonista. Portanto, é preciso muito cautela e reflexão ao repassar filmes, pois a escola tem a função de desconstruir também as ideologias dominantes e não ser mera reprodutora do sistema capitalista e de uma cultura de consumo.

  • Cleytom Vasconcelos said:

    Gostaria Vigevando de parabenizar a Escola Luis Ribeiro da Silva por ter sido privilegiada com um belíssimo auditório parabéns comunidade,gestores desta escola,ja temos para onde nos dirigirmos para realização de nossos encontros.Sou presidente de uma associação e sempre tive dificuldade para encontrar um lugar disponívl, acho vergonhoso no município de Ubajara-Sede não disponibilizar de um auditório,um local apropriado para encontros,reuniões,nem mesmo nas Secretarias: Cultura,Ação Social, Educação.Ficam sempre usando outras Instituições.Estive neste final de semana visitando a gruta e me deparei com professores, diretores e alguns colegas que estavam alí em reunião,usando emprestado aquele auditório.Que vergonha!!Pensei que a coisa em Ubajara tinha melhorado ,mas me enganei outra vez!!. Por-que em vez daquela horrível praça que está sendo construindo no local do antigo correio, não pensou na construção de um auditório com cantinas banheiros e bem equipado,seria mais viável do que uma praça com banheiros que só vai deixar mal odor na cidade ,sem falar nos vándalos os quais vão usar como ponto de encontro para uso de drogas e servi para esconderijo de marginais.Procure um tempinho Sr.prefeito para pensar melhor quando for realizar estas ações no nosso município .Parabéns mais uma vez para Jaburuna,parabéns Cláudio.parabéns escola,professores,alunos,a política está vindo aí ,

  • Monique Gomes (author) said:

    Assim como a escolha de um livro para a apreciação dos alunos, o bom professor deve saber avaliar um filme e o que este filme tem a oferecer no tema que será trabalhado. Ele deverá assistir ao filme antes e ver as potencialidades, mas eu acredito que as escolas receberão um encarte com a sinopse do filme e uma listagem dessas potencialidades que podem servir como debate em grupo. A Revista Nova Escola, que chegou nessa semana, aborda esse tema, e traz um folder de como o professor deve trabalhar com um determinado filme.

  • Jonathan F. Gomes said:

    Esse filme chama muito atenção no fato dessa professora sem experiência que deixou de seguir a área do Direito, para ser professora numa escola onde nenhum professor e sequer a coordenadora acreditava que os alunos podiam mudar de comportamento numa época tão agitada por crimes e tensões raciais. Esse discurso levantado por Erin sobre o desenho onde os alunos são questionados o porquê de suas atitudes de violência e intolerância e se vale a pena participar de gangues foi quando a professora percebe que suas respostas e justificativas são limitadas apenas nos seus “mundos” e não refletem as conseqüências de suas ações no âmbito social. Uma aluna questiona pra que serve aprender tal conteúdo se este não contribui em nada na sua vida; outro diz que o fato da professora ser “branca” não é suficiente para ele respeitá-la. Erin tem argumentos consistentes para responder essas questões e não os aceitam na condição de vítimas, fazendo-os reconhecer que suas ações não contribuem em nada para a sociedade.
    Erin quer mudar a opinião de seus alunos, fazendo-os sentir, pensar, ter empatia (se colocar no lugar do outro) e responsabilidade por suas escolhas e atos. Assim, resolve adotar novos métodos de ensino, ainda sem a concordância da direção da escola, mas que os alunos se identificassem e se interessassem. Através do projeto sobre o livro “O Diário de Anne Frank” e da escrita dos diários pelos alunos, estes exercitaram o pensamento crítico sobre seus atos, deixando a divisão de grupos e a violência e passando a conviver melhor com o próximo. Portanto, Erin traçou um objetivo e a partir desse projeto do livro, destacou a importância do assunto (no caso, tensões raciais) fazendo discussões, dinâmicas e com o tempo, a conquista do progresso se firmou ao ser comparado com as metas propostas.
    Segundo Celso Antunes, um grande pedagogo, no seu livro “Professores e Professauros”, deve-se valorizar atividades ao ar livre e compreender que a aprendizagem de sala de aula se associa aos experimentos realizados em oficinas e laboratórios, às aulas de campo e muitas outras atividades cotidianas no ambiente que as envolve. Ao propor atividades em campo, como a visita do museu, os depoimentos dos sobreviventes do holocausto e a palestra da Sr. Miep Gies, a mulher que escondeu Anne Frank, a professora fez com que os alunos associaram essas histórias com suas realidades, contadas nos próprios diários. Dessa forma, os estudantes descobriram o poder da tolerância, deixando suas visões limitadas pelo discurso vitimista dos grupos e abrindo suas mentes para o mundo.
    O sistema de avaliação de Erin não foi marcado por provas com questões usadas como o saber que todos deveriam alcançar. Pelo contrário, ela buscou atividades diferentes, como as mencionadas anteriormente, que além de terem proporcionado um processo de real aprendizagem, os alunos puderam expressar seus saberes. Percebe-se que um aluno somente aprende quando efetivamente se transforma.
    O que era difícil para uma professora novata e sem experiência, tornou-se realidade, surpreendendo a todos. A prática de ensino de Erin foi fundamentada no ato de pensar, através de ler, escrever, ouvir o próximo, saber se expressar; em estratégias e projetos para transformar os conteúdos abordados em sala em conhecimentos; no senso de inovação; e, principalmente na construção social da autonomia. Este último foi centralizado em toda a sua prática, pois o saber pensar, a consciência crítica dos problemas e a tentativa de fazer história própria fizeram com que os alunos alcançassem avanços em suas próprias vidas e, principalmente em sua comunidade.

  • Monique said:

    Jonathan, você fez considerações super importantes sobre o filme em debate. Gostei da citação do livro Professores e Professauros. Procurei o pdf dele na internet mas nem tem, uia. Obrigada pelo comentario

  • Jonathan F. Gomes said:

    Esse filme já assisti várias vezes na faculdade e foi muito discutido sobre a prática pedagógica dessa professora. Quanto ao livro “Professores e Professauros”, este traz reflexões sobre aula, práticas pedagógicas diversas e diferenças entre as práticas dos professores e dos professauros. Este termo “professauro” é um neologismo criado por Celso Antunes que vem da palavra “dinossauro” que serve para caracterizar os professores que têm dificuldade em incorporar o novo e que mantém a tradição do ensino do século passado. O próprio autor afirma na apresentação do livro que não usa esse termo para ofender, diminuir, magoar; pelo contrário, os dinossauros são espécies extremamente simpáticas e prova disso é verificar como as crianças, principalmente os meninos, os adoram. Ele usa esse nome porque dinossauros eram criaturas de outros tempos e os comparam com professores que têm a irritação de segurar a tradição de não mudar. Ao contrário dos professauros, existem os professores, profissionais que estão sempre renovando suas práticas e que mantêm suas mentes abertas para o novo,como a professora Erin, do filme “Escritores da Liberdade”.

  • Monique Gomes (author) said:

    Pois é, só pelo título eu imaginei que Professauros fosse isso aí mesmo, por isso achei interessante o livro. Eu estou atuando como professora temporária no programa projovem urbano e tem sido uma experiência muito boa. Qualquer dia vou postar um artigo sobre o assunto e aproveitar para deixar umas dicas para os professores sobre as dinâmicas que eu tenho posto em prática com tirinhas e caça-palavras, os alunos adoram.

  • Jéssica said:

    Adorei seu comentário a respeito do filme Escritores da Liberdade. Realmente esse filme é um exemplo de vida para alunos e principalmente para professores. Nos dias de hoje onde a violência está cada vez mais presente nas salas de aula, o professor tem que ter uma preparação exemplar para poder repassar aos seus alunos o verdadeiro significado da educação, do respeito e do amor. O professor como diz o escritor Augusto Cury é o semeador de ideias, por isso ele deve estar preparado para ajudar seus alunos e para poder plantar esperança nos corações de tantos jovens descrentes da vida. Às vezes o professor não dá atenção aos alunos rebeldes por que pensa que eles não mudarão, mas se formos procurar entender o motivo da rebeldia desses alunos vamos ver que por trás disso está uma vida de violência vivida em casa pelos pais, que outro exemplo de vida essas crianças e jovens tem para seguir se em casa eles presenciam cenas terríveis?! A escola é seu único refúgio e mesmo lá eles não são compreendidos. “Por trás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto. Paciência é o segredo, a educação do afeto é a sua meta.” (Augusto Cury)

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