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Renovar pela informação, por Adrovando Cavalcante

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quinta-feira, 3 junho 20103 تعليقات

Aos 13 anos, vivendo em um regime autoritário, fui apresentado pela primeira vez aos livros tidos como subversivos. Não compreendia muito bem o que realmente estava acontecendo, porém havia algo que me fascinava e aos poucos aquela leitura transformava o menino  que acabara de chegar à cidade. Aquela nuvem negra do regime militar, aos poucos já começava a se dissipar, e foi nesse prenúncio de bons ventos, através da anistia de intelectuais tidos como inimigos do regime que ascendeu em nosso país uma diversidade de obras relativas a esse conteúdo.I

Apesar de todas as dificuldades, foi uma época mágica, a discoteca embalada por sucessos importados da América, as tertúlias, a tropicália no auge com Caetano, Novos Baianos, Gil. A Bossa Nova com Tom Jobim, Tom Zé, Miúcha, Aldir Blanc e Chico Buarque. O cinema  do irrecuperável  e dispensado Grêmio  Pe. Moacir, o Silver Center, etc…I

Aqui em Ubajara, rumores de que um sindicalista tinha a ousadia de se tornar presidente acelerou uma brigada preconceituosa em defesa da classe dominante, deturpando e maculando informações, retratando-o como uma pessoa que tinha pacto com o diabo e que comia criancinhas: santa religião! Foi em meados da década de oitenta que um grupo de amigos com as mesmas ideias resolveu discordar da maioria alienadora e pôs o bloco na rua, quer dizer: difundir os discursos do sindicalista. Lembro-me bem dos meios que dispunham: um gravador de fitas em cima de uma caixa de som rouca e dissonante.I

Brigamos pela melhoria de nossos governantes mais próximos, quando nasceu o “Manifesto Jovem” e depois com o “Xeleleu”, pasquins com quase quatro anos de circulação. Elegemos um presidente do povo e tentamos eleger também aqui um representante similar, mas depois que as cortinas foram içadas, viu-se a incompetência disfarçada com poder de manipulação, reforçada pelos cargos e empregos públicos, como foi o caso do voto dos funcionários na última eleição e da greve dos professores.I

Tornei-me um leitor assíduo de Frei Beto, Leonardo Boff, Karl Marx, Dostoievisk, Fernando Morais e outros que ora não me recordo. Não fui um revolucionário ativo, mas sempre que uma discussão se formava lá estava eu, inocentemente, defendo conceitos mal formados, mas que naquela situação reinante tomava um ar de conforto.I

O comunismo na Ásia, Europa oriental e principalmente na vizinha Cuba, disfarçava um sentimento de renovação em detrimento a todo o caos que se instalara desde a queda de Jango. Confesso que era uma maravilhosa fantasia, mas ser “comum”, igualdade para todos, achava que seria a chave para todos os problemas da humanidade: onde todos tinham as mesmas oportunidades.I

O tempo não para – como dizia Cazuza.  Distanciei-me das minhas convicções, talvez estivesse enganado, pois logo vimos desmoronar o muro de Berlim, a abertura Soviética e da China, impondo a outros que teimaram em ficar, como Cuba, a necessidade de se redemocratizar.I

O mundo muda pela informação, o povo informado tende a escolher melhor seus representantes, pra quem não busca essa informação cabe a imprensa fazer o papel indubitavelmente, que é dela por natureza.I

 

 

 


Renovar pela informação, por Adrovando Tomaz Cavalcante, empresário.

3 تعليقات »

  • Vigevando Araújo de Sousa said:

    Amigo Adrovando gostei do texto; Eu acho que precisamos escrever ou reescrever a nossa história de Ubajara, para que as futuras gerações possam se informar melhor e sob diversas perspectivas e diferentes pontos de vista. Gostaria de salientar que é preciso não somente informar, mas formar um pensamento crítico por parte da sociedade. Atualmente vivemos uma época de muita informação revigorada pelo processo de globalização, mas a informação de qualidade infelizmente ainda pertence à classe dominante. Ainda existe muito lixo eletrônico, informações deturpadas que geram outros tipos de alienações. São tantas informações que o ser humano atual pode ter uma falsa sensação de que está bem informado pela televisão, enquanto esta os torna indivíduos passivos e acríticos. Não compreendi bem quando você se referiu à greve dos professores. Continue escrevendo… Sem dúvida é uma ótima contribuição para escrevermos a história local através dessa bela iniciativa da Monique, O Jornal Folha Ubajarense

  • informativo said:

    Diz o livro dos livros: Saber fazer o bem e não faze-lo é pecado. O conhecimento que nós temos, muitas das vezes se perde dentro de nós mesmos. As vezes me sinto assim como vc Adrovando e sei o quanto isso perturba a alma. A muito ouço e falo dos problemas de ubajara por falta de um representante, que trabalhe em prol do povo, sem interesses pessoais. Mas o que fazermos então?
    A informação é dada. Adimiro muito o trabalho da monique. Mas infelizmente são poucas as pessoas que acessão a net para se informarem, para lerem textos como o seu. Principalmente os jovens.

  • marcelo sousa said:

    a drovando parabens por esta materia muito rica,em conhecimento

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