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Mussapere, Herundi e Lapiconga, nossos conterrâneos

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 30 agosto 2010لا تعليقات

Estimado leitor,I

Considerando o comentário da leitora Regina Duarte na matéria Mussapere e Herundi, a fantástica trajetória dos índios da tribo Tabajara’, acho oportuno enfatizar que essa história é verídica. A entrevista, transcrita na íntegra, foi realizada por uma rádio do Rio de Janeiro, poucos anos antes da morte de Mussapere, que faleceu na cidade de Nova Iorque no ano passado, em consequência de um câncer no estômago. Segundo relatos de uma outra entrevista concedida por telefone, Mussapere, ou Nato Lima, como ficou conhecido, afirmou que gostaria de voltar a morar no Brasil. Meu plano é ir morar no Brasil dentro de 3 anos. Mas a vida aqui é tão boa, uma moleza. O dinheiro chega do estrangeiro, e eu nem sei de onde vem. Quarenta e três países me mandam dinheiro de lá, e algumas vezes, nos últimos anos, tem engrossado.Não fiquei milionário nunca porque nunca juntei dinheiro. Algumas vezes distribuí porque era muito. Meu sonho é morar no mato, mas no dia em que encontrar terra, talvez no estado de São Paulo, entre São Paulo, Campinas, Jundiaí”, disse Nato.I

 Infelizmente os brasileiros não tiveram a honra de receber de volta esse nativo autodidata, um gênio da música clássica. A dupla Mussapere e Herundi causou espanto e admiração nos maiores profissionais da música. “Depois que escutei aquele negócio do Chopin, no outro dia sai para comprar música, comprei partitura de piano, Clemente Partitura de Piano e Compêndios de Moderna Harmonia de Rimsky-Korsakov. Um ano no México estudando dia e noite sozinho, sem professor, e aprendi a ler música. E examinei todas as músicas de Chopin.Quando chegamos na RCA Vitor, diziam: são os maiores do mundo do violão. Ninguém acreditava nisso. Os violonistas não dizem quem é o maior, o mundo é grande demais: mas eu acho que ninguém toca aquela valsa e o “Vôo do Besouro” que nem nós. Até hoje tocam nas reprises do Eddy Sullivan, a gente vestindo de índio, e eu ainda me admiro”, afirma Nato durante a entrevista.I

 A Serra da Ibiapaba tem uma identidade indígena muito forte. Em meados de 1740, sob o comando de Antônio Gonçalves, vários índios foram estimulados a escavar a Gruta de Ubajara em busca de prata, pois corria o boato de que “havia tanta prata na ladeira que os indios a derretiam como caieiras deitando lenha em cima”. Mas nada foi encontrado.I


O Jornal Folha Ubajarense recentemente esteve no Sítio Suminário, zona rural de Ubajara, para investigar a história da índia Lapiconga, que morou naquela comunidade na década de 30, nas terras da família de Lúcio Freire. Moradores mais antigos contam que a índia Lapiconga era alta, magra, cabelos quase completamente grisalhos. Os mais detalhistas confessam: era uma mulher extremamente feia, desengonçada e arredia. Não interagia com as pessoas. Não falava com ninguém. Dificilmente era vista fora de casa. Cuidava de um sobrinho, é o que dizem, não tinha outros parentes. Moradores por vezes colocavam comida na porta de sua casa. Certa vez a presentearam com um tecido, para que ela pudesse ter o que vestir. Em seguida Lapiconga foi vista desfilando o Suminário esbanjando seu jeito esbelto e desengonçado, mostrando o tecido enrolado de ponta a ponta do corpo.I

E, já que estamos falando da população indígena, não posso deixar de registrar uma reprise da história dos índios Uba e Jara, a saga romântica que deu nome a cidade de Ubajara. Opa, agora sim. Essa história é ficção, foi fruto de um ócio criativo que há muito tempo eu não tenho: I

Reza a lenda que foi numa tarde ensolarada de janeiro que Uba e Jara se conheceram. Uba, o índio, tomou o último gole do chá da folha de bamburral, porque estava se recuperando de uma terrível diarréia. Acabrunhado, resolveu fazer um passeio até a Caverna da Vila para espairecer um pouco. Enquanto isso, na caverna, Jara, formosa índia de longos cabelos cor de burro quando foge, preparava sua maquiagem com urucum, quando sabiamente percebeu que naquela tarde aconteceria a revoada das tanajuras. Clique aqui para acompanhar a história.I

Entre a realidade e a ficção, fico por aqui.I
Da Redação
Monique Gomes

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