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Um Raio X da Ignorância, por Adrovando T. Cavalcante

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quinta-feira, 11 novembro 20105 تعليقات

Espremido entre o muro dos Paulinos (antiga companhia energética do Ceará-Coelce) e a calçada do mercado das verduras, todas as sextas, ali, por mais ou menos quatro horas, o pescado é tratado e vendido a céu aberto competindo com as mais variadas áreas de insalubridades que se possa imaginar, resultado de acúmulos de vísceras jogadas ao chão povoadas de moscas e outros tipos de insetos.I

Lá se vão quase seis anos de administração do atual prefeito e nada foi feito para resolver esse problema de saúde pública. O que pensar desse descaso que rompe da insensatez? Ou a sociedade é literalmente ignorante ou o poder público é omisso, partindo do pressuposto de que enquanto o povo não grita, nada se tem pra ouvir.I

As feiras livres parecem  que são objetos apenas de arrecadação de impostos. Coerente seria, já que os recursos arrecadados são insuficientes, que se alojassem esses “peixeiros”  em locais mais apropriados enquanto  outro  seja construído.I

Recentemente um estudo da aluna de graduação de tecnologia em alimentos da IFCE, campus Sobral, Sabrina Ferreira Macedo, mostra uma fotografia em preto e branco das condições higiênico-sanitarias das feiras livres do peixe em nossa cidade. Fez uma pesquisa “in loco” exploratória e fundamentou-se em análise qualitativa e investigativa sobre as condições de apresentação e comercialização de peixes nas feiras livres de Ubajara.I

A apresentação desse trabalho, aqui desmontado mesmo em flashes, pode ser considerado o início do ciclo necessário para que os consumidores fiquem mais atentos ao adquirirem alimentos que não estejam dentro das normas sanitárias adequadas, pois então, mais saudáveis.I

Na introdução, um conceito bem formatado anuncia a responsabilidade do poder público e não o torna tutor apenas da escolha do local pré determinado, mas também as condições higiênicas que devem ser sistematicamente vistoriadas pelo órgão competente municipal.I

Em sua pesquisa, realizada no dia 11 de outubro de 2009, o foco apresenta um cenário de desrespeito à saúde pública, caracterizando uma ingerência desmedida, causadora de males diversos, que aumentam as filas em hospitais deficitários, onde médicos mal pagos fazem das tripas coração para defender sua profissão com dignidade. A coleta de dados foi feita através de observações visuais, entrevistas informais e registros fotográficos da infraestrutura e condições higiênico-sanitárias do ambiente, manipuladores e produtos.I

No resultado e discussão apresenta a aluna (Sabrina), entrevista com feirantes, onde eles fazem um panorama da aquisição dos peixes e comercialização do produto e da estrutura apresentada pela Prefeitura, desde local de exposição e a conservação.I

I ”A feira fica localizada próximo ao centro da cidade a céu aberto, alguns feirantes comercializam os peixes embaixo de uma árvore, entre dois terrenos abandonados, onde em um deles serve de depósito para armazenar as bancas, sendo em sua totalidade de madeira. As mesas são sujas, quebradas, confeccionadas em madeira, o que facilita a absorção de umidade, sujeira e contaminantes, ou cobertas por uma camada de alumínio já bem degradado. O material para retirada das escamas é feito de forma artesanal, onde há uma base de madeira com alguns pregos fincados. Pode-se observar a presença evidente de ferrugem, as facas para corte do peixe estavam bem sujas e enferrujadas e possuíam cabo de madeira. O material utilizado para amolar as facas era uma pedra que ficava sobre a mesa. Os peixes muitas vezes são expostos em cima de uma lona. No local não havia energia elétrica para que os comerciantes pudessem fazer o uso de equipamentos de refrigeração ou água disponível para limpeza dos alimentos. A água utilizada estava armazenada em baldes sujos,apresentando-se turva e com restos da visceração, servindo esta para limpeza de materiais, dos peixes e das mãos dos feirantes.I

Rodrigues expressa sua preocupação com as feiras públicas revelando problemas nas instalações e edificações como áreas de insalubridade. Segundo ele, de modo geral verificou-se não haver a existência de lixeiras instaladas nas bancas, sendo os resíduos armazenados em cantos ou ate jogados no chão. Muitos feirantes estavam trabalhando com a roupa suja, fumando, com barba, sem touca e passando o troco no momento em que manipulam os alimentos, o que para eles era muito natural, já que não possuem conhecimento específico para executar essa tarefa. Não existia preocupação com a aparência e asseio. Os peixes considerados por eles “frescos” eram vendidos sem nenhum tipo de refrigeração. Sobre as bancadas, alguns ainda estavam no isopor, porém sem gelo ou qualquer outra forma de refrigeração. O isopor era envolvido com uma estrutura de madeira, as paredes internas do isopor já estavam bastante danificadas, apresentando perfurações com coloração escura. Peixes de várias espécies eram colocados uns sobre os outros. Alguns estavam cortados em postas, os olhos opacos e o corpo sem brilho, falta de rigidez e mau cheiro, presença evidente de insetos. Resultados semelhantes foram relatados por Coutinho, onde revela que o pescado é comercializado sem refrigeração e embalagem, fica exposto à poeira e a insetos. Os manipuladores apresentam pouca higiene pessoal e não utilizam luvas, toucas e aventais. O local de comercialização tem lixo, mau cheiro e presença de cães e gatos. Já os peixes considerados “secos” eram armazenados em caixas de palha, caixas de plástico cobertos por uma lona, ou em sacos de nylon ao abrigo do sol. Os resíduos dos peixes eram jogados em baixo das bancadas, alguns não utilizam lixeiras ou sacos e lançam o lixo no asfalto atraindo moscas, insetos e animais como cães e gatos a procura de alimento.”I

Os peixes são trazidos das regiões litorâneas mais próximas como Camocim e Acaraú, localizadas no Estado do Ceará. Segundo esclarecimento da autora: “O pescado é um alimento de excelente valor nutritivo devido as suas proteínas de alto valor biológico, vitaminas e ácidos graxos insaturados. Entretanto é bastante perecível, necessitando de condições sanitárias adequadas desde sua captura, manipulação e comercialização a fim de que seja oferecido ao consumidor um produto seguro e de boa qualidade microbiológica”.I

 As observações contidas nas entrevistas provoca uma mudança de atitude. Atitude para denunciar a falta de local apropriado e estruturado, pessoas competentes para fiscalizar e exigir um comportamento adequado no trato com o produto. Atitude para denunciar os órgãos competentes na saúde publica e enfim, exercer sua cidadania.I

Um Raio X  da Ignorância, por Adrovando T. Cavalcante, empresário.I

5 تعليقات »

  • INFORMATIVO said:

    Desde que eu me entendo por gente que isso é assim. E não querendo isentar o prefeito, que na minha opinião é omisso, mas se esses feirantes estivessem em instalações adequadas assim mesmo seria aquela sujeira. E a sociedade é ignorante sim pois só existe esse comécio, porque há quem compre.

  • regina said:

    O titulo do artigo faz jus ao conteudo.Isso e’ o cumulo da falta de higiene e do descaso publico.O Brasil e’ a setima economia mundial,mas ai’ e’ o quinto mundo.Como pode????? Vamos ser mais conscientes e criticos….

  • Cicero Teles Costa Pereira said:

    Essa matéria ficou excelente na medida em que revelou a incompetência da saúde pública e o descaso da população ubajarense.
    Eu acrecentaria ainda um fato vicenciado por mim, por volta dos anos 80, quando desconfiei do tipo de sal empregado pelos feirantes para aconservação desse tipo de iguaria.Ao ser interpelado por mim, alguns feirantes informaram que utilizavam um sal “muito bom conhecido por BHC”.Ora, senhores,na verdade aquele produto não era um sal, mas um fostíssimo agrotóxico clorado cujo uso era proibido no mercado brasileiro.Será que hoje existem feirantes utilizando esse produto?

  • O Sociólogo said:

    Excelente matéria!
    É urgente que a população se manisfeste contra esse absurdo! É importante que se verifique também como anda a higiene dos comércios de Ubajara. Se os produtos das pratileiras não estão vencidos… Pelo que parece a lógica do mercado (do poder), está falando mais alto. Até a vigilância sanitária é impedida de fiscalizar com eficiência os grandes comércios, principalmente com a supeita de que o Filho do Prefeito seria dono de um ou dois mercantis grandes! Isso é um absurdo, uma vergonha para nossa Ubajara. Por isso defendo com unhas e dentes, a autonomia da ação da vigilância sanitária, que sei que sofre retaliação e perseguição política, quando quer fazer seu trabalho com eficiência. Com certeza muita coisa podre tem por trás disso tudo, além dos produtos que certos mercantis vendem!!!

  • marcos said:

    nesse local ñ esiste igienisanitaria

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