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São Benedito: pétalas do crack

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 24 janeiro 201116 تعليقات

Conhecida pela produção e exportação de rosas em grande escala, pela feira livre que comercializa confecções e acessórios a preços acessíveis e pelo tradicional Carnaval, a cidade de São Benedito apresenta hoje um cenário vergonhoso de degradação social em consequência do crescimento do número de usuários de drogas, especialmente o crack. A Praça São Francisco, patrimônio público localizado ao lado do maior cartão de visitas de São Benedito, a Praça dos Índios, se transformou numa verdadeira Cracolândia, um dos points de encontro dos viciados.I

O crack foi difundido na década de 70, quando usuários passaram a misturar cocaína com outros produtos como bicarbonato de sódio e água.  O nome faz referência ao inglês ‘to crack’, que significa ‘quebrar’ (devido ao barulho que a pedra faz quando está queimando). O crack é a viagem mais certa com destino à morte. O cérebro de um viciado recebe o efeito da droga depois de 10 segundos da inalação da fumaça. A sensação de euforia dura alguns minutos e em seguida vem uma profunda depressão. Na maioria dos casos, o crack provocou a dependência imediata dos usuários que provaram a droga pela primeira vez.I 

O baixo custo facilita o acesso ao crack, mas esse barato sai muito, muito caro. Como o efeito da pedra dura poucos minutos, o usuário busca compulsivamente várias pedras por dia. Afora o valor em dinheiro, preço muito mais alto é pago com a própria saúde, com a destruição da paz familiar e o temor da sociedade, pois o viciado em crack é capaz de roubar objetos da própria casa, assaltar moradores e transeuntes, vender o próprio corpo ou até mesmo matar para conseguir mais pedras. São como vampiros sedentos em busca de sangue.I

Alguns casos narrados por moradores do município de São Benedito chamam a atenção e servem de alerta para as autoridades tomarem uma providência a respeito:I

Uma moça de apenas 16 anos foi encontrada morta no dia 15 de janeiro, próximo à Rodoviária, no centro da cidade, em meio a garrafas de loló, uma substância alucinónega. O corpo estendido no asfalto em plena manhã de sábado lembrava a música ‘pais e filhos’, do Legião Urbana, que diz: “Ela se jogou da janela do quinto andar, nada é fácil de entender… Dorme agora, é só o vento lá fora…”. A jovem era dependente de crack, mas foi morta por um outro tipo de pedra que atingiu sua cabeça em um golpe fatal. Suspeita-se de vingança, pois segundo relatos dos moradores ela já teria atirado na barriga de um colega em consequência de uma discussão. Os dois homicidas que a mataram barbaramente a pedradas foram presos.I

Fevereiro de 2010. Aconteceu no lugar chamado ‘Feira do Peixe’: um grupo de amigos, usuários de droga, estavam ‘brincando’ de roleta russa. A brincadeira consiste em colocar uma bala na arma de fogo, girar e atirar. Quem sobreviver, ganha. Assim, da maneira mais idiota e indigna possível de um ser humano morrer, São Benedito registrou mais um óbito.I

Novembro de 2010. A.O.O.J, estudante do Projovem Urbano, teve a casa invadida por um grupo de adolescentes na madrugada do dia 15. Ele foi amarrado e espancado violentamente e ficou preso até o dia amanhecer. Os ladrões, usuários de crack, levaram dinheiro e objetos pessoais, incluindo livros de uma coleção com um valor sentimental inestimável. O jovem precisou de cuidados médicos para se recuperar do acontecido. Vale tudo por uma pedra. A vida não tem a menor importância. Meses antes do episódio, o mesmo estudante teve o celular roubado quando fotografava um memorial da cidade, em plena luz do dia.I

Em dezembro do ano passado diversos assaltos foram registrados na feira livre, centro da cidade. Uma feirante entrou em desespero porque os ladrões levaram a quantia de 12 mil reais, todo o dinheiro que ela tinha.I

 O tráfico de drogas no interior está crescendo a passos largos. Em Ubajara foi registrado o caso de um usuário de crack que trocou a própria moto, nova, sem placa, por duas pedras.  O crack é sobretudo a perda da razão, a degradação total do ser humano. É urgente a necessidade de um plano estratégico de políticas públicas. O que fazer com a epidemia do crack que se alastra contaminando a sociedade? Para onde levar os dependentes? Que tipo de tratamento é mais eficaz? Além disso, é preciso é muito, mas muito trabalho de prevenção, para evitar que outros jovens caiam na mesma armadilha. Reportagem de Monique Gomes para o Jornal Folha Ubajarense. Você pode copiar essa matéria, desde que cite a fonte.I

16 تعليقات »

  • Secretaria said:

    Caro amigo, olhe para a sua cidade também que não é lá essas coisas de boa. Para tirar a trave dos olhos dos outros, primeiro tire a sua. Não é que eu esteja concordando com o errado, mas não devo apontar o erro das outras cidades sem antes ver o da minha . Antes que eu saia procurando coisas para degredir a cidade dos outros primeiro eu concerto a minha.Obrigada

  • Monique Gomes said:

    Sra, sua atitude infantil me surpreende. Em nenhum momento eu tive a intenção de denegrir a imagem da cidade de São Benedito, não é nada disso. A matéria sobre o crack é um alerta para que sejam tomadas algumas providências antes que seja tarde demais. Imagine o crack tomando conta de todos os jovens, uma completa epidemia na cidade, e todos os moradores presos dentro de suas casas, assombrados com a certeza de ser assaltado. É uma doença que precisa ser tratada. Não entendo o porquê da sua indignação, parece que até eu escrever essa matéria ninguém teve a coragem de falar sobre o assunto e eu finalmente quebrei o tabu. Então, se todos se calam e cruzam os braços, é importante que um meio de comunicação como um jornal provoque essa mudança, que eu certamente já comecei. Não se ofenda com a matéria pois não é nada pessoal, vamos unir forças e buscar soluções para os problemas.

  • DANIEL( DE TIANGUÁ) said:

    MONIQUE, parabéns pela matéria digna de prêmio. sempre acompanho seu site e acompanho como as matérias são bem feitas . Acho sempre que você faz o correto. O papel do jornalista(e dos que trabalham levando informação) é esse mostrar a noticia o fato a realidade nua e crua, cobrando das autoridades e fazendo com que os leitores pensem, reflitam formem sua propria opinião dos assuntos que fazem parte da cidade em que vive. Moro em Tianguá, que também tem muito dessas coisas. apesar de ter diminuido consideravelmente após a implantação do Ronda do Quarteirão, o crack preocupa e muito a todas as cidades. parabéns mais uma vez pela matéria que abre os olhos da serra (você apenas deu o exemplo de Sao Benedito, mas nós sabemos que realmente esta em toda a ibiapaba

  • Monique Gomes (author) said:

    Isso, Daniel. Dei um exemplo de uma cidade, mas acontece aqui no interior, talvez não tanto na mesma intensidade, mas é a mesma realidade. Fico feliz que tenha entendido a missão do jornalista, é isso mesmo. Tem que escancarar, nada de jogar o lixo pra debaixo do tapete!. Obrigada pela atenção!o

  • ISLANY said:

    MUITO BEM MONIQUE,PARABÉNS PELO SEU TRABALHO PENA QUE MUITAS PESSOAS NÃO ENTENDAM QUE ESSA É A REALIDADE DO BRASIL EM QUE VIVEMOS ,DE JOVENS ENTRANDO CADA VEZ MAIS NO MUNDO DO CRIME ,SENDO ESCRAVOS DE SUA PRÓPRIA SOMBRA,MAS O QUE SE PODE FAZER NÉ?BEM NO MOMENTO O QUE SE PODE FAZER É SÓ ALERTAR ,SÓ ISSO E NADA MAIS AI O RESTO É SÓ ESPERAR…

  • Monique Gomes (author) said:

    Valeu, Islany

  • agildo siqueira said:

    MONIQUE É POSSIVÉL ALGUEM COM ESSA MENTALIDADE EXERCER UM CARGO DE SECRETARIA? SÓ FALTAVA SER SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL, OU DE SAÚDE. MAS FALANDO SÉRIO. AO CONTRÁRIO DO QUE SE PENSA O INTERIOR DO CEARÁ TEM MAIS USUÁRIOS DE CRACK, DO QUE A CAPITAL. AQUI NA IBIAPABA ELE TEM ENTRADO AOS POUCOS, APESAR DE ESTAR PRESENTE AQUI DESDE 2001. É UMA DROGA PODEROSA QUE VICIA MUITO RÁPIDO. NA MINHA VIVENCIA EM TRABALHOS COM USUÁRIOS DE CRACK, VI PESSOAS QUE FORAM DO TOPO AO POÇO EM POUCO TEMPO. PESSOAS QUE, CHEGAVAM PRA MIM E DIZIAM: TU VIU AGILDO O FULANO, AGORA É NOIA, FUMA PEDRA DIRETO E NA LATA… DIAS OU MESSES DEPOIS ESSAS MESMAS PESSOAS QUE CRITICAVAM E QUE TINHAM CONCIENCIA DE QUE O CRACK ERA NOCIVO ESTAVAM USANDO. É UMA VERDADEIRA EPIDEMIA. O RUIM É QUE O CRACK TRAS COM ELE, FURTOS,ASSALTOS A MÃO ARMADA, LATROCINIO E ASSASINATOS E SE NÃO TOMARMOS ATITUDE AGORA A TENDENCIA É PIORAR.

  • Monique Gomes (author) said:

    Quando começaram a imprimir imagem de pessoas cancerosas nas embalagens de cigarro muita gente ficou chocada, mas é essa a realidade, não dá pra fugir dela ou fingir que não existe. Tem que haver um reconhecimento e um planejamento conjunto na questão do uso de drogas. A matéria sobre o crack abalou as estruturas da sociedade ibiapabana, em especial os moradores de São Benedito, mas eu peço que todos entendam que o problema é da Ibiapaba. Estamos juntos, interligados. A reportagem foi pauta de discussão nas escolas de São Benedito e serviu de inspiração para o tema do projeto que será realizado na disciplina de Participação Cidadã do Programa Projovem Urbano. Os alunos estão se mobilizando para uma campanha contra as drogas. É um começo

  • Inácio Alcântara said:

    Olá Monique, bom dia!Sou de São Benedito, e parabens por essa matéria.
    você nã escreveu nenhum absurdo. os fatos relatados, infelizmente são reais. o que ocorre em São Benedito é um retrato de uma sociedade que não busca soluções para os problemas. Sou professor da rede municipal, e leciono em uma escola da periferia. conversando com meus alunos, escuto relatos que me deixa espantado. a falta de estrutura familiar, agregado á falta de uma política pública eficiente, culmina com situaçõers deste tipo. Cabe a nós, cidadãos procupados com a transformação da sociedade, fazer algu que possa ao menos minimizar esse grave problema. Faço um trabalho voluntário e m meu bairro, que busca socializar crianças e adolescente. Foemei um grupo de flauta-doce, e além da música, busco trabalhar a cidadania. respeito ao próximo. Levo amigos meus, para dar palestras sobre diversos assuntos, inclusive sobre drogas. Sei que não resolverei o problema de minha cidade, mas acredito que as crianças que trabalho, muito dificilmente entrarão para essas estatísticas. mais uma vez parabens pela matéria.
    obrigado.

  • Smith said:

    Cara Sra. Jornalista Monique, sou um amante da leitura de uma forma geral, assim também amo a leitura de jornais. Quero aqui parabenizá-la pelo primor jornalístico de sua matéria “pétalas do crack”. Raras vezes pude ler uma matéria tão bem escrita e tão verdadeira sobre a realidade do advento do crack em nossa sociedade. Sou são beneditense e não mais me orgulho disso… a terra dantes conhecida como “princesinha da ibiapaba”, terra natal de nosso filósofo maior, Farias Brito, terra do encanto das flores, hoje é para mim a rainha do crack. Sou mais uma vítima das inúmeras consequências muito bem ressaltadas em sua matéria, já fui assaltado e até quase morto por usuários dessa pedra.
    Realmente, nossa antes tão querida praça dos índios é uma verdadeira cracolândia, as consequências como a violência advindas do consumo do crack não poupa nenhum bairro, seja ele nobre ou periférico. Já não podemos mais andar tranquilos depois das nove da noite, cidadãos como eu que não tem a devida segurança dignas das casas das grandes capitais, não conseguem dormir tranquilos. Eu e outras pessoas que conheço não dormimos antes das cinco da manhã, que é quando passa o perigo de ter a casa assaltada… Espero, nobre jornalista, que sua corajosa reportagem sirva de insight moral de nossos políticos e dos responsáveis pela segurança pública de nossa cidade. Precisamos urgentemente de mais policiamento, e uma guarda municipal de responsabilidade.
    Gostaria de contar-lhe um fato. Há alguns meses visitei uma secretaria municipal e aproveitei para denunciar sobre a praça dos índios, nossa cracolândia, mas ninguém me deu atenção, o incrível é que a referida secretaria fica em frente a praça… acredito que isto mostra um pouco do total descaso por parte da política em nosso São Benedito. Em breve pretendo mudar-me daqui.
    Mais uma vez meus parabéns pela matéria. Divulgarei e continuarei sendo leitor do Folha Ubajarense a denunciar os casos de São Benedito e dizer-lhe que as pessoas que ficaram chocadas ou que consideram sua matéria exagerada, em minha opinião é porque devem ter alguma ligação política com a situação, ou então não sofreram ainda aspancadas e os cortes como eu das consequências do uso do crack em São Benedito. Parabéns também por não fazer parte da imprensa marron que pinta vergonhosamente a imagem de São Benedito em seus periódicos e sites. Um jovem estudante, Smith.

  • Monique Gomes (author) said:

    Prezado Smith, fico feliz que tenha gostado da matéria. Tem um ditado que diz: nem todas as verdades são para todos os ouvidos… Você, mais que ninguém, conhece bem de perto a realidade das consequências do crack. Tenho orgulho de ter você como aluno. Um grande abraço

  • Monique Gomes (author) said:

    Inácio, fico feliz em saber do seu empenho com esses jovens. É um trabalho nobre. Parabéns

  • Pedro said:

    Isso é uma mentira total moro aqui em São Benedito, e nao er assim como esta nesta materia acontece uma outra vez caso perdido como acontece em todo lugar. Aqui e um lugar calmo. Da proxima vez envestigue bem antes divulgar materias farjutas.

  • Monique Gomes (author) said:

    Pedro: Essa reportagem sobre o crack foi feita através de relatos de dúzias de moradores de São Benedito e é claro que meus leitores sabem muito bem disso, porque todos aqui conhecem o meu profissionalismo e o que você acha a meu respeito não faz a menor diferença. Não entendo porque muita gente tem isso como uma ofensa pessoal, até quando vamos silenciar diante de coisas tão sérias?o

  • Maria Eliete Ribeiro Almeida said:

    .

  • Carta aos alunos do Projovem Urbano « Blog da Monique said:

    [...] sobre Formação Técnica Geral. Nossos debates renderam uma notícia, quase um documentário: São Benedito, pétalas do crack, que traz um relato surpreendente sobre o uso do crack aqui no interior. Muita gente me odeia por [...]

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