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Recordando Padre Inácio, por Edmundo Macedo – in memoriam

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quinta-feira, 24 março 201112 تعليقات

Recordo, nossa pacífica e aconchegante Ubajara. Poucas residências, ruas estreitas e duas praças mais conhecidas àquela época, como: quadro velho e quadro novo. Quase ao centro, a Igreja Matriz. Em 1935 (eu tinha 11 anos) chegava a Ubajara o Revmo. Padre Inácio Nogueira Magalhães para assumir o comando da paróquia criada em 1934 por Dom José Tupinambá da Frota, Bispo de Sobral.I

Milhares de fiéis compareceram ao evento religioso de maior importância para o município de Ubajara. Padre Inácio, homem culto, sorriso aberto, estrutura média, olhos claros, rosto cheio e vermelho, mais parecia um alemão. Gostava de ouvir e contar histórias de gente simples. Seus sermões eram curtos e diretos. Vez ou outra, discretamente, fumava seu cigarro predileto de nome “Iolanda”. Fui seu acólito, o ajudei na celebração da Santa Missa com outros companheiros. Não gostava de choro de criança dentro da igreja. Era bastante meticuloso nas confissões dos homens, daí a demora no confessionário. Um bom vinho não descartava. Sua comida preferida era Baião de dois e, como sobremesa, doce de banana feito em casa e guardado em pequenos caixotes de madeira. Usava óculos com lentes grossas e adorava tomar a garapa (caldo de cana) em coité lá no Sítio Buriti.I

Lembro que um dia, logo após a missa da manhã, o acompanhei até a casa paroquial. Em cima da mesa para refeições, bem à vista, em uma bandeija com mangas maduras e amarelinhas. Após o bom dia à empregada, esta, com voz bem macia e agradável, falou: “Padre Inácio, Dona Etelvina Pereira, lá do Sítio do Meio, mandou estas mangas bonitas para o Reverendo”. 

Ele bem vermelho, mas calmo, colocou um guardanapo branco no peito guardado pela batina preta e de olhos bem abertos saboreou quatro mangas, sem pestanejar. A empregada ou zeladora da Igreja, olhou bem para a minha carinha e ordenou: “Garoto, ainda tem mais manga. Pode comer!”. Dei um sim, meio sem jeito e, em poucos minutos deixei a bandeija limpinha. É por isso que quando vejo manga, tem hora que não dispenso nem a casca. Foi essa criatura maravilhosa que me encaminhou ao Seminário São José de Sobral. Guardo lembranças bem virtuosas do nosso primeiro vigário, que ficou conosco de 29 de janeiro de 1935 até 18 de junho de 1938.I

Sua bondade continua fazendo festa no meu coração. Minhas saudades, Padre Inácio.I

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Edmundo Macedo nasceu em Ubajara no dia 20 de Novembro de 1923. Filho de Francisco Bahé Macedo e Francelina de Oliveira Lima. Gerenciou empresas conceituadas em São Paulo. Durante a aposentadoria, voltou para a terra natal, onde atuou como professor de História nas escolas municipais. Editou com Monique Gomes o Informativo O Senhor da Canoa, impresso de periodicidade trimestral. O presente texto foi escrito em 1995. Edmundo Macedo faleceu no dia 1º de Outubro de 2004.I

12 تعليقات »

  • Antonio Marcondes said:

    entrei nesse site de monique e uma coisa me deixou mui triste em saber q Edmundo macedo morreu pois vivo distente de ubajara ha mui anos do hoje que soube da perda deste homem que sempre via nas ruas de nossa cidad com sua simpliscidade é uma pena que pessoas assim dure pouco tempo ao nosso convivo

    Monique aproveito a ocasiao para pedir que me mande sempre noticias de ubajara por e-mail ficarei mui agradeçido Um grande abraço que Deus abençoe a todos vcs
    Até a proxima

  • Vigevando said:

    Estou até emocionado ao ler este belo texto do meu ex-professor de história, Edmundo Macedo!
    São pessoas como Prof. Edmundo que escrevem a memória viva de nossa Ubajara-Ce, levando ao conhecimento das novas gerações, muitos personagens que marcaram a nossa história e que jamais serão esquecidos! Ao Sr. Edmundo meu eterno agradecimento pela educação que é a soma de todas as pessoas que passaram por nós ex-alunos, principalmente nossas famílias e aos queridos ex-professores. Parabenizo a redatora do Jornal (Monique) por essa bela iniciativa

  • Monique Gomes (author) said:

    Vigevando> Eu posso dizer o mesmo. Também fico emocionada em ver a foto do S. Edmundo Macedo no jornal que eu edito. Ele foi muito importante pra mim, foi o início do jornalismo na minha vida. Essa foto foi feita em 2000 por ocasião do primeiro encontro dos migos e migas, um grupo da internet do meu antigo site: http://www.folhaubajarense.com.br/migosemigas.htm
    Ainda lembro dele subindo a ladeira da casa da Dona Francion com um saquinho de goma nas mãos, ou então com um gravador de voz, do tempo da fita cassete, equipamento que ele usava para entrevistar as pessoas e muitas vezes esquecia de apertar o REC… enfim, um ser humano incrível que amava Ubajara acima de tudo. Eu tenho muitos escritos dele e pretendo publicar todos, aos poucos

  • Monique Gomes (author) said:

    Marcondes> Pois é, foi uma perda irreparável a morte do Prof. Edmundo. Eu lamento você não ter conhecimento desse fato. Todo o legado que ele registrou será publicado aqui no jornal, são fatos, memórias, contos, enfim, uma série de “flash backs” do povo ubajarense. Antes de morrer ele me pediu que eu não deixasse a peteca cair, ou seja, ele pediu que eu continuasse com o Informativo O Senhor da Canoa. Nascer jornalista em Ubajara é uma missão árdua. Jornalismo impresso, nunca mais… Vou tentar satisfazer o pedido dele com essa coluna, assim ele ficará imortalizado na memória daqueles que o conheceram e registrado para sempre na grande rede mundial

  • Wescley Ânderson Pereira Rodrigues said:

    viajei agora com a reportagem Monique… primeiro fico muito feliz e agradecido pois agora voltei a minha infância (eita que lembranças nostalgicas) lembrei-me agora quando eu fazia a 3ª série do do ensino fundamental na Escola Flávio Ribeiro Lima, e tive a oportunidade de conheçer o sereno e bondoso Sr. Edmundo Macedo, que adentrava nossa sala de aula pedindo permissão o nossa professora a D. Santinha… e presentiou a todos os alunos. Ganhei o jogo de botão… a partir daquele momento me tornei um amante do futebol de botão.. e admirar aquele homem..

  • luciano alberto de miranda said:

    Tenho a felicidade de acessar às produções de Monique Gomes. Trazendo a memória de Edmundo Macedo à internet presta relevante serviço a Ubajara.
    Monique, não deixe a peteca cair. Há muita gente lendo o que você escreve.

  • Agostinho said:

    Procurando pelo nome nesse site, é com grande pesar que soube da notícia do falecimento do sr.Edmundo Macedo, pois tive a honra de trabahar com ele nos anos 80 , durante 8 anos no Shoping Eldorado Rebouças em São Paulo, inclusive quando ele se aposentou passou o seu cargo para mim e foi para Ubajara,uma pessoa que sempre respeitei e admirei pelo seu profissionalismo, senti muito sua perda, que Deus o abençõe.

  • Monique Gomes (author) said:

    Wescley, S. Edmundo Macedo amava crianças. Um amigo muito querido, um ser humano extremamente generoso. A morte é apenas uma passagem, prova disso é que o legado que ele deixou estará sempre na memória daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele. Você terá a oportunidade de conhecê-lo melhor através dos textos que ele escreveu, serão publicados em breve aqui no jornal

  • Monique Gomes (author) said:

    Luciano Miranda: deixa comigo que seguro a peteca, rs

  • Monique Gomes (author) said:

    Agostinho: é uma felicidade ter você por aqui. Também senti muito a perda do amigo. Um abraço e volte sempre

  • INFORMATIVO said:

    NÃO CONHECI O SR. EDMUNDO MACEDO. TERIA APRENDIDO MUITO COM ELE ACREDITO. OS HOMENS DE BEM NUNCA FICAM EM EVIDENCIA, PORQUE SERÁ. MONIQUE FAÇA UMA SÉRIE DE REPORTAGENS COM OS HOMENS E MULHERES HONROSOS DA NOSSA CIDADE, ANTES QUE TODOS SE VÃO E LEVEM CONSIGO O QUE PODERIA SER DE MUITO PROVEITO PARA OS MAIS JOVENS. COMECE POR O SR. GRIJALVA PARENTE.

  • edgar macedo said:

    Bom dia!!!
    Gostaria de saber a historia de minha familia, acho que Edmundo Macedo era meu tio avo, sou neto de Edgar Brito Macedo, filho de Darcio Macedo, e sobrinho de Dario Macedo, quem puder me ajudar ficarei grato.

    Att
    Edgar Brito Macedo Neto

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