Folha Ubajarense » Repensando a Educação, por Monique Gomes
Entrevistas e Homenagens

Confira as entrevistas concedidas ao Jornal Folha Ubajarense. Em breve a sessão Homenagem Póstuma estará disponível

Ibiapaba online

Notícias da Ibiapaba:Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Guaraciaba do Norte e Carnaubal

Polícia

O interior do Estado do Ceará não é mais o mesmo. Violência, criminalidade e acidentes no trânsito fazem parte da rotina

Ubajaridade

A essência de ser ubajarense permanece arraigada nos habitantes dessa cidade pacata e de clima agradável

ümor

Artigos, Crônicas, Piadas. Tudo aquilo que você não precisa saber para viver com dignidade e qualidade de vida está aqui

الرئيسة » Opinião

Repensando a Educação, por Monique Gomes

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quinta-feira, 19 maio 20116 تعليقات

O Pensador, escultura de Auguste Rodin

A Educação é um sistema que necessita visceralmente ser repensado continuamente. Os erros do passado proporcionaram consequências catastróficas na humanidade que não podem se repetir no mundo de hoje, onde as tecnologias corroboram com novas formas de pensar e de ver o mundo. Hoje, os avanços são muitos, principalmente na Língua Portuguesa e no novo olhar que se deu para a importância da leitura e da produção de textos com o uso dos gêneros textuais e as diversas possibilidades da intertextualidade, mas as aulas tradicionais que mantém o professor atrás de um birô fazem parte de um sistema falido de educação.I

Nas décadas passadas o aluno era tratado como uma folha em branco e o professor agia como se a sua missão fosse preencher essa folha.  Na minha fase escolar, a metodologia de ensino era imposta goela abaixo. Éramos obrigados a ler autores canônicos com linguagem rebuscada e em seguida preencher uma Ficha de Leitura. A atividade era obrigatória, por isso não sentíamos prazer em ler. A produção de texto era igualmente imposta sem que o professor antes oferecesse um conteúdo sobre aquele tema que seria trabalhado. Eu me via em sérios apuros para escrever sobre um tema que eu não tinha conhecimento suficiente. Essa gafe sem precedentes na área educacional formou escritores inseguros. Muitas pessoas tentam fugir da simples tarefa de produzir um texto porque têm dificuldade e se acham incapazes de redigir. Talvez elas ainda não se deram conta de que são vítimas do ensino deficiente, apático e silenciosamente corrosivo. Certamente é possível reverter esse quadro, minimizar as inseguranças e produzir textos de boa qualidade. Basta ler muito e praticar.I

A leitura, prática indispensável para a compreensão de si e do mundo, é extremamente importante para a formação do bom redator, pois as palavras costumeiramente lidas ficam na memória como uma espécie de fotografia, além do fato de aguçar a criatividade. Houve uma fase em que eu pensava que não gostava de ler. Até começar a leitura de outros títulos comprados em bancas de revista, como os misteriosos suspenses de Agatha Christie, livros adquiridos em algumas quitandas culturais disponíveis em Ubajara naqueles anos, outros lidos por influência de minha irmã, até chegar na Filosofia e ter o verme da leitura definitivamente instalado em mim.I

Convidada por uma instituição do governo para ministrar aulas de qualificação profissional, me tornei professora. No primeiro momento, o que mais me chamou a atenção foi a indisciplina na sala de aula e como eu poderia exterminar esse mal. Como boa jornalista, recorri ao Google e encontrei muitos trabalhos interessantes sobre o tema. A pesquisa é importante, mas tem também o lado empírico que todo cientista não deve desprezar, então segui o caminho da empatia. Se eu fosse um jovem que por algum motivo largou os estudos e anos depois retornou à escola, um jovem que vive o boom da informação e das novas tecnologias, mesmo de forma insatisfatória, mas vivencia, então, eu não acharia um tédio ficar ouvindo a minha professora, com tantas coisas interessantes que eu gostaria de conversar com os meus colegas? A partir daí, você para e pensa. O que o professor deve fazer para tornar as aulas super ultra mega interessantes, mesmo que o tema seja chato? Observe seus alunos. A maioria tem celular com bluetooth. Eles se comunicam através de mensagens SMS, compartilham vídeos, músicas, etc. Faça o mesmo em suas aulas. Use e abuse da tecnologia para tornar as aulas interessantes. Quando isso não for viável, abra um espaço para que o grupo se manifeste na aula e seja você o aluno. Provoque o grupo como se você tivesse encarnado Sócrates e tenha a sala de aula como um Ágora.I

Aí você me diz: “Mas com a miséria do salário que eu ganho, como ter motivação para motivar outras pessoas”?  Avalie. Reflita. Se o salário não compensa, não seria melhor procurar outro emprego ou estudar para concurso público? Se for necessário chutar o balde, chute.I

O professor de hoje deve fomentar nos alunos a curiosidade e a vontade de aprender. Se a mostra do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, está no plano de aula para ser realizado na turma do nível fundamental com o objetivo de retratar o início da Revolução Industrial, não leve a turma para a sala de vídeo sem antes criar toda uma expectativa sobre o filme. Reserve uma aula para fazer uma avaliação acerca da biografia de Chaplin e o legado que ele deixou para o mundo como comediante, ator, escritor, produtor, e diretor dos filmes mudos, exibidos em preto e branco, outro detalhe que vai atiçar a curiosidade deles, que não conheceram a imagem monocromática na televisão. Esse momento que antecede o filme é extremamente importante para que o professor consiga prender a atenção da turma durante o filme.I

Quando o assunto é educação, é preciso repensar, refletir, ver com novo olhar sempre. O professor deve se portar como um pesquisador assíduo. Absolutamente tudo deve ser questionado. A prova tradicional realmente mede o conhecimento do aluno? Oferecer mais de quinze disciplinas no ensino médio e valorizar o vestibular como única forma de entrar no mercado de trabalho é a melhor estratégia? Essas e outras perguntas renderão boas linhas, que eu tratarei em outro momento.I

.

Repensando a Educação, por Monique Gomes – Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, estudante de Letras com hab. em Português pela UFPB, estudante de jornalismo científico online, repórter fotográfica, redatora e Editora do Jornal Folha Ubajarense

6 تعليقات »

  • Prof. Vando said:

    Bom texto Monique; Já ouvi muito essa expressão: “Inovar”, mas é preciso muito mais! Grande parte dos alunos são apáticos. O problema social é muito mais grave do que pensamos! Precisamos primeiro atingir a família dos alunos para obtermos algum resultado satisfatório. Sempre que fazemos reuniões com os pais, o que mais me surpreende é que muitos deles não sabem nem a série em que os filhos estão. Os alunos em que os pais são mais presentes na escola e na formação dos filhos, obtêm melhores resultados. Sem o incentivo, o exemplo e a visão de futuro das famílias, se torna muito mais difícil o trabalho do professor. Eu diria que a formação familiar e social são muito importantes. Sem querer fazer apologia a religião alguma, mas percebo que jovens que frequentam algum grupo, movimento (gostaria de destacar os alunos “Testemunhas de Jeová),em geral tem um bom comprometimento com os estudos, com a disciplina e com a vida social. Diria que, além do problema social grave, ausência de valores, estão os baixos salários dos professores, a falta de incentivo das famílias, a falta de perspectiva e visão social dos pais.Segundo dados de 2005 do IBOPE , no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas 1 de cada 4 brasileiros (25% da população) são plenamente alfabetizadas, isto é, estão no nível 3 de alfabetização funcional. Cara Monique , isso se dá devido o baixo interesse dos alunos pela leitura, os baixos salários dos profissionais da educação e a desorganização das instituições sociais e políticas.

  • Monique Gomes (author) said:

    Olá, professor. Eu, você e diversos leitores desse humilde jornal tivemos a sorte de ter pais presentes. Nossos pais nos vestiram com um uniforme, colocaram lanche na nossa merendeira e nos levaram para a porta da escola todos os dias.
    Conversei com diversos pais de alunos e entendi perfeitamente qual o motivo da apatia e da evasão escolar: eles não têm a menor consciência da importância de estudar. Certamente não incentivam os filhos em nenhum momento. É lamentável. Sendo assim, eu concordo com você que fica muito difícil motivar os alunos, principalmente em alguns casos onde eles passam necessidades básicas. Mas eu acho que esse fato só torna a missão mais árdua, não impossível. É preciso se colocar no lugar desses jovens, aceitar as deficiências do sistema e lutar contra, fazer diferente.o

  • agildo siqueira said:

    Concordo com os dois, (Prof. Vando e Monique) minha mãe era professora, e tina essa preocupação com o desenteresse dos alunos e principalmente com o desenteresse dos pais desses alunos, por a educação dos seus filhos. Hoje a escola e porque não dizer os professores, tem a obrigação de educar, não só no sentido de preparar o aluno para os estudos, mas em muitos casos assumem o papel dos pais em educar para vida, pois estes, não teem nenhum preparo. Vi o video em que uma professora, faz um desabafo dizendo ” mi colocam dentro de uma sala de aula, com um giz e um quadro negro, e querem que eu salve o país” . Acho que a escola, deveria trazer os pais pra dentro de-la e buscar entender melhor, os problemas socias que estas fámilias enfrentam, assim poderiam encontrar uma forma de trazere estimulo para esses alunos.

  • agildo siqueira said:

    Monique vc ta sabendo do IV Congresso da Juventude, que será realizado em Tianguá, nos dias 27 e 28 deste mês, e que tem como objetivo, buscar apoio para se trazerpara a Ibiapaba, uma Universidade Federal. Não seria interessante, fazer uma matéria, no Jonal Folha Ubajarense?

  • Monique Gomes (author) said:

    Caro Agildo, eu ouvi um carro de som falando desse evento quando eu estive ontem em Tianguá. Deve ser um encontro bastante proveitoso, no entanto eu estou em busca de patrocínio que possa viabilizar as despesas do jornal e isso pode ser que demore um pouco. Obrigada pela sugestão de pauta e sempre que você souber de algo, me avise, eu agradeço

  • agildo siqueira said:

    Pode crer Monique, eu não sabia que vc ainda estava com esse problema financeiro.

FAZER UM COMENTÁRIO

Participe. Deixe seu comentário aqui