Folha Ubajarense » A mangueira da minha primeira escola, por Edmundo Macedo – in memoriam
Entrevistas e Homenagens

Confira as entrevistas concedidas ao Jornal Folha Ubajarense. Em breve a sessão Homenagem Póstuma estará disponível

Ibiapaba online

Notícias da Ibiapaba:Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Guaraciaba do Norte e Carnaubal

Polícia

O interior do Estado do Ceará não é mais o mesmo. Violência, criminalidade e acidentes no trânsito fazem parte da rotina

Ubajaridade

A essência de ser ubajarense permanece arraigada nos habitantes dessa cidade pacata e de clima agradável

ümor

Artigos, Crônicas, Piadas. Tudo aquilo que você não precisa saber para viver com dignidade e qualidade de vida está aqui

الرئيسة » Opinião

A mangueira da minha primeira escola, por Edmundo Macedo – in memoriam

أرسلت بواسطة Monique Gomes في sexta-feira, 1 julho 2011تعليق واحد

Olho para a telinha do computador, onde registro os meus mais escondidos pensamentos e me vem a ideia de escrever sobre a data de hoje. Há 74 anos eu nascia numa madrugada do dia 20 de novembro. A Gazeta da Serra do saudoso jornalista Manoel Miranda noticiou na coluna ‘Aniversários e Nascimentos’ minha chegada à Ubajara. Disse o comentário: “Nasceu hoje, às 3:45 da manhã, um bonito e robusto menino, filho de Francisco Bahé Macedo e Francelina de Oliveira Lima. Segundo soubemos, o nome do garoto será Edmundo, em homenagem ao médico Dr. Edmundo V. Saboia, de Sobral”.I

Quero agradecer a gentileza do crítico Manoel Miranda. Em verdade, bonito mesmo nunca fui. Em compensação, reconheço haver sido um menino travesso e perguntador de tudo. Foi na Escola de Dona Maroca Perdigão, em Ubajara, que recebi as primeiras palmatoriadas na mão esquerda e direita, castigo um tanto forte para meu corpo magro e teimoso.I

Numa manhã invernosa, bem serrana, Dona Maroca entra na sala, dá uma olhada na turma e com serenidade avisa: “Vou até a Igreja para ser madrinha de uma menina. Irei demorar uns 15 minutos. Ficará na classe o garoto Fernandes para tomar conta de vocês, nada de barulho ou qualquer brincadeira”. Dito isto, pegou um livro com orações, um terço e com muito charme colocou na cabeça um véu branco rendado nas bordas e lá se foi à Igreja. A alegria tomou conta da classe, sem bagunça.

Em dado momento, convidei o companheiro Luizinho para ir ao quintal da casa. Do lado direito, todo beleza, um frondoso pé de manga, que mais parecia uma árvore de Natal. As mangas dependuradas verdes e maduras era convite ao nosso apetite. Em menos de quatro minutos estávamos entre as folhas, galhos e mangas daquele presente da natureza. Desabotoamos a camisa para não ficar nenhuma marca do nosso apetite. De repente, ouvimos passos. Era Dona Maroca, que chegara bem antes dos 15 minutos.  Olhou para cima, nos identificou e falou com toda força do seu pulmão: “Desçam daí já. Vamos!” Foi aí que o medo tomou conta da gente. Olhei para meu companheiro de “arte” (Luizinho) e fiquei com pena dele, que resmungava: “A minha calça se rasgou e a bunda está aparecendo, o que devo fazer?”. “Desça assim mesmo, não tem outro jeito, ponha a mão no bumbum para disfarçar, agora é tarde e a tal de Inês morreu!”.I

Lá embaixo, os demais colegas começaram a fazer mangação da gente. Torciam pelo merecido castigo. Luizinho, ao colocar os pés no chão, tratou de esconder sua “responsabilidade”, encostando de leve, na mangueira. Foi neste exato momento que os demais colegas começaram a ria e a zombar de nós. Foi uma mangoça geral, até o sisudo Fernandes tirou uma “casquinha”.I

Dona Maroca ordenou o retorno dos alunos para a única classe da escola. Fomos duramente repreendidos. Comecei a tremer e me encolher, fiquei quase sentado. Foi aí que Dona Maroca, humana criatura, olhou para minha tristeza e falou bem baixinho: “Coitado, está todo molhado”. Luizinho não perdoou: “Professora, ele está todo mijado, perdeu até a fala!”. “Você está bem?”, perguntou Dona Maroca. “Mais ou menos, Dona Maroca…”I

Também, com tanta manga, medo, dó do Luizinho, bumbum de fora, calça rasgada, não há quem aguente! Nem Jesus Cristo, tá?I

Edmundo Macedo nasceu em Ubajara no dia 20 de Novembro de 1923. Filho de Francisco Bahé Macedo e Francelina de Oliveira Lima. Gerenciou empresas conceituadas em São Paulo. Durante a aposentadoria, voltou para a terra natal, onde atuou como professor de História nas escolas municipais. Editou com Monique Gomes o Informativo O Senhor da Canoa, impresso de periodicidade trimestral. O presente texto foi escrito em abril de 1998. Edmundo Macedo faleceu no dia 1º de Outubro de 2004.I

تعليق واحد »

  • Vigevando said:

    Mais uma vez o Grande Professor Edmundo Macêdo com suas emocionantes crônicas! Que Deus o tenha! Grande abraço em seus familiares!

FAZER UM COMENTÁRIO

Participe. Deixe seu comentário aqui