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O nascimento do Jornal Folha Ubajarense, por Monique Gomes

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quinta-feira, 18 agosto 20116 تعليقات

Dia 20 de Agosto o Jornal Folha Ubajarense estará comemorando 2 anos no formato online e independente. Para comemorar essa data eu vou contar para você como foi o nascimento do Jornal. Para isso, construí uma máquina do tempo e viajei no passado, quando eu editava o Jornal Diário do Pedestre…I

No início era o verbo… Minha paixão pelo jornalismo começou na adolescência. Eu editava o jornal DP – Diário do Pedestre. Claro, satirizando o nosso glorioso e amado Diário do Nordeste. Era escrito à mão em uma agenda pequena de capa cinza. Os desenhos mal feitos ilustravam as matérias, que eram produzidas com ajuda do fictício repórter Babau. Ele era praticamente um repórter investigativo. Meu jornal não tinha leitores, mas um belo dia minha irmã pegou a agenda de capa cinza e desatou a rir do meu jornalismo sem noção.I

Depois dessa fase, comecei a trabalhar e pude comprar o meu primeiro computador. Liguei alguns cabos conectando o modem a linha telefônica, depois de dias intermináveis lendo tutoriais e consegui conexão com a internet. Era 1998. Fiquei em êxtase quando a página do portal UOL abriu. Havia uma enorme facilidade de acesso a uma biblioteca infinita, sites de pesquisa, revistas, livros gratuitos. Também me apaixonei pela criatividade dos banners publicitários e a imensidão de gifs animados. Meu sonho era produzir um site e aprender a desenvolver gifs animados. Eu tinha uma pasta cheia deles, fazia download de tudo que via. Matuto é o cão.I

Gastava 40% do meu parco salário com internet. Faltava enfartar quando a conta do telefone chegava. A conexão às vezes caía de minuto em minuto e reconectava automaticamente. Cada ligação era uma nova despesa, além do tempo de permanência. Comecei a estudar a linguagem HTML, ler tutoriais na internet e assinei algumas revistas de informática. Com ajuda de uma ferramenta gratuita desenvolvi um site sobre Ubajara. Era uma coisa tosca. Feio como o guarda-roupa da Patrícia Poeta, mas funcionava. Eu recebia e-mails de ubajarenses que estavam fora do Brasil me parabenizando pelo site, de pessoas que desejavam informações como onde se hospedar em Ubajara, e ainda mensagens com sugestões ou queixas para que fossem encaminhadas a Prefeitura.I

Depois de ter editado um jornal como o Diário do Pedestre, o site foi uma excelente experiência nesse quesito comunicação. Eu estava me aproximando das pessoas e essa convivência me deu a oportunidade de saber exatamente que tipo de informações elas gostariam de ter, no entanto um jornalismo mais sério estava me esperando quando eu topei com o ubajarense e meu ex-professor de história, Edmundo Macedo (in memoriam).I

Fatos que antecederam essa topada: Lendo uma revista de informática encontrei a informação de que era possível formar um grupo de discussão. Então formei o grupo Migos e Migas de Ubajara e nos comunicávamos por correio eletrônico. Era 1999. Foi nesse período que o ubajarense Carlos Cunha Miranda, um grande empresário radicado no Rio de Janeiro que patenteou a invenção das ampolas quebráveis de remédios, me encontrou em um site de busca. Ele foi o primeiro a se cadastrar no grupo. Eu tinha dificuldades em recolher os e-mails para fazer o cadastro das pessoas no sistema, pois aqui ninguém tinha e-mail ainda. Eu sou uma espécie de Matusalém da Internet aqui em Ubajara…I

Pois bem, topei com Seu Edmundo. Toda orgulhosa do meu site tosco mais feio que o guarda-roupa da Patrícia Poeta, contei para ele que tinha desenvolvido um site sobre Ubajara e que tive contato com um grande amigo dele de infância, o Seu Carlos Miranda. Nossa, ele ficou muito emocionado e foi me contar todas as peripécias que os dois aprontavam quando eram garotos. Logo, me disse que estava precisando de alguém em Ubajara que pudesse editar o Informativo O Senhor da Canoa, pois era editado em São Paulo. Eu topei o desafio, mesmo sem experiência alguma em diagramação com softwares profissionais. Passei dias lendo tutoriais do Corel, cutucando aqui e ali. Não foi nada fácil. Eu não tinha com quem trocar informações, fazer uma pergunta, nada. Só eu e a máquina. Mas eu sou valente, prova disso é que eu tive a audácia de oferecer um curso de informática dentro da minha casa e dava aulas com uma apostila que eu mesma desenvolvi ( a cidade ainda não oferecia cursos de informática).I

Quem conheceu o Informativo O Senhor da Canoa sabe que esse era um periódico que ressaltava o passado, a identidade e a cultura do povo ubajarense. Era o retrato da alma do professor Edmundo. Saudosismo puro. Por vezes eu publicava artigos de opinião, um deles foi sobre o tema Turismo e Qualidade de Vida – nesse período eu estava cursando Turismo.I

O rótulo de “repórter” eu ganhei quando um belo dia o Professor Edmundo, meu chefinho no Informativo, me incumbiu de uma missão. Fotografar um dos candidatos a prefeito. Eu tinha uma máquina fotográfica analógica, daquelas que funcionam com filme de revelação (Sai, Matusalém!). Pensei ter feito a bendita foto, mas quando levei para revelar fui informada que todas estavam queimadas. Claro, essa história virou uma crônica e, sabendo do acontecido através da grande rede mundial, o amigo Carlos Miranda imediatamente me enviou pelos correios uma máquina digital super ultra mega moderna (na época) que funcionava com um disquete de três polegadas dentro. Era a sensação do momento a máquina. As fotos eram salvas diretamente no disquete. Ele me presentou alegando que “uma repórter não pode ficar sem uma câmera”. Essa máquina foi minha companheira de guerra por muitos anos, sempre com uma caderneta e uma caneta na bolsa.I

Como minha cabeça sempre fervilhava de ideias e pensamentos decidi colocar tudo isso pra fora e comecei um Blog, que mais tarde se chamou ‘Blog Pensante de Monique Gomes’. http://moniquegomes.wordpress.com/ Eu aprecio muito o gênero crônica, porque a crônica é humorada, despojada, é o texto de bermudas, como disse um escritor. Paralelo ao Blog, montei um site com domínio registrado migosemigas.com.br – hoje não está mais disponível na internet, mas guardei parte dele nesta página: http://www.folhaubajarense.com.br/migosemigas.htm

O site Migos e Migas dava suporte para divulgar o grupo de amigos de Ubajara e os artigos e crônicas que eu escrevia no Blog eram linkados lá, pois o domínio  .com.br  é bem mais fácil de ser lembrado e acessado  pelos visitantes. Uma das crônicas mais lidas foi Barrada na Caixa Econômica, que conta sobre minha fobia de portas giratórias de banco, mas um dos trabalhos que eu mais gostei de produzir foi a sátira Se Coçar De Novo. Rir é bom porque você esquece que o sistema um dia acaba te devorando.I

Então, depois do Diário do Pedestre, do site tosco, da formação do Grupo Migos e Migas, do Blog Pensante, do Site Migos e Migas, do Informativo O Senhor da Canoa, meu desejo era produzir um jornal impresso. Ano 2005. Bolei um projeto para um jornal que se chamaria Folha Ubajarense e enviei para a Prefeitura. Meses depois recebi uma ligação do Prefeito. Conversamos e a ideia amadureceu. Nasceu o Jornal Folha Ubajarense versão impressa. Tive autorização para usar uma página para matérias aleatórias de interesse geral. Na edição em que eu publiquei a trajetória dos meninos da Banda Superid choveu gente na Prefeitura em busca do jornal. Outra matéria que agradou a população foi ‘Tanajuras, as formigas comestíveis’. Eu cobria os eventos da Prefeitura, as inaugurações, corria a zona rural. Fotografava, fazia anotações, redigia as matérias, editava texto, fotos, diagramava no Corel Draw, ajudava na distribuição e selava os jornais que eram enviados pelos correios para ubajarenses que moram em outros estados. Eu fazia o trabalho de uma equipe. Não aconselho ninguém a fazer o mesmo, é preciso equipe.I

Anos depois, por motivos pessoais, a administração pública não renovou o contrato de serviços prestados. Nesse período eu quase deixei de ser a Monique Gomes para ser a Monique Cadê O Jornal?, pois eu ouvia essa frase a todo momento. Pensei na viabilidade de produzir um jornal independente e meti a cara. Produzia as matérias e paralelamente visitava os comerciantes para vender os anúncios – serviço gráfico é uma coisa bem cara para quem não pode pagar.  No início muita gente não entendeu o fato do jornal continuar com o mesmo nome, mas Jornal Folha Ubajarense é um projeto meu. Não tinha motivos para mudar. Então, se com a parceria da Prefeitura eu já fazia tudo, com a produção independente eu também tinha que correr o mundo para vender os anúncios. Foi muito cansativo fazer tudo sozinha. Eu precisava de uma pessoa que pudesse fazer as vendas enquanto eu trabalhava nas matérias, mas não encontrei essa alma. Então publiquei apenas seis edições. Móórreu o jornal.I

Mais uma vez entrou em cena a Monique Cadê O Jornal? Eu tentava sair do jornal, mas o jornal não queria sair de mim. Então eu pensei que seria possível desenvolver um site do Folha Ubajarense que mostrasse um jornalismo de qualidade, com compromisso, ética e seriedade – porque publicar algo assim no site Migos e Migas não era possível pelo tom de comédia característico dele…I

Então, depois do Diário do Pedestre, do site tosco, da formação do Grupo Migos e Migas, do Blog Pensante, do Site Migos e Migas, do Informativo O Senhor da Canoa, do Jornal Folha Ubajarense impresso, nasceu o Jornal Folha Ubajarense online, no dia 20 de Agosto de 2009, depois de dias exaustivos de estudo e pesquisa. Meses depois eu estava cursando Jornalismo Socioambiental. Como amante do jornalismo, essa viver essa experiência é muito gratificante. Sem menosprezar os jornais impressos, mas o jornal online é um banco de dados que fica registrado para sempre. O feedback é imediato. Ninguém usa o jornal online para embrulhar sabão ou como forro para a casinha do cachorro e não é preciso pagar rios de dinheiro para a gráfica… Meu deus, como é bom ficar desempregada e ser livre para desbravar o mundo.I

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O nascimento do Jornal Folha Ubajarense, por Monique Gomes, Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, estudante de Letras com hab. em Português pela UFPB, estudante de jornalismo científico online, repórter fotográfica, redatora e Editora do Jornal Folha Ubajarense

6 تعليقات »

  • Clarindo said:

    Só nos resta te parabenizar pela coragem de correr (olha aí o pedestre!) e de voar em busca da aventura de marcar presença de qualidade no mundo. Felicidades nos caminhos que ainda se abrirão.

  • Leandro said:

    Sua coragem é admirável — parabens!

  • samia said:

    Boa noite,Monique parabéns pelo seu trabalho,pois já faz alguns anos que não mora mas ai,mas tenho prazer de lê as noticias através do seu jornal,um grande abraço,samia de Rio das Ostras RJ ,

  • veronica said:

    Parabéns ao Folha e à vc Monique! Nunca desanime e mantenha a indepemdência. Sucesso!!!

  • Monique Gomes (author) said:

    Oi Sâmia, que legal saber disso. O site será atualizado em breve, fique ligada! Beijos

  • Monique Gomes (author) said:

    Pois é, Verônica. Endurecer, sim, mas perder a ternura jamais. Ás vezes eu até desanimo, mas isso só acontece quando não posso publicar. Cidade pequena também tem corrupção, ameaças, abuso de poder, regime de ditadura. Mas pior é na guerra, que não tem nem um refresco pra gente tomar!!! Beijo

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