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Homenagem a Mozar Cunha no aniversário de Ubajara

أرسلت بواسطة Monique Gomes في quarta-feira, 24 agosto 20112 تعليقات

O ubajarense Mozar Cunha Freire

 No dia 24 de Agosto, aniversário de Ubajara, o Jornal Folha Ubajarense faz uma homenagem a um ubajarense que, apesar de nunca ter sido prefeito, fez pela população mais que muitos gestores na administração pública. Seu nome: Mozart Cunha Freire.I 

O menino Mozart, de calça curta, camisa de riscado, pés descalços e assobiador, passou fome, chorou escondido, mas não se entregou. Foi aluno de Maroca Perdigão e Oscar Magalhães. Na adolescência era fissurado por uma arapuca – uma armadilha para pegar passarinho feita de pedaços de pau ou talos de bambu dispostos em forma de pirâmide. Outros entretenimentos do menino Mozar eram jogar ‘bila’ e tomar banho na lagoa. Quando jovem passou diversas dificuldades mas, com perseverança e estudo, passou no concurso do Banco do Brasil e seguiu carreira. Ao sair da cidade de Ubajara, nunca esqueceu sua terra natal, por isso desenvolveu o Projeto Esperança, fundado em julho de 1997 com o objetivo de atender a população carente do município. Mozar Cunha Freire, com ajuda dos primos José Cunha Freire e Nizinha Pimentel Cunha realizaram a doação de uma ambulância totalmente equipada com materiais cirúrgicos, uma sala de parto, uma sala de prevenção e outra para pré-natal para o Hospital Francisca Belarmino, além de equipamentos para o Centro de Nutrição e duas geladeiras. Doação de um Parque Infantil, equipamentos musicais como teclado, mesa de canais, violão, microfones, órgão musical. Dois computadores ao Instituto Nossa Senhora de Fátima e para alguns estudantes doou, doação feita para a Capela de São Sebastião. Foi responsável pela cobertura de mais de 30 casas com telha colonial. Construiu cerca de 400 banheiros no Bairro Sebastião Gomes Parente para a população que não dispunha desse bem. Muitas doações em dinheiro para ubajarenses que necessitavam fazer uma cirurgia grave, para a administração do Santuário Mãe Rainha, Reforma do Centro Comunitário de São Sebastião.I 

Leia a seguir a entrevista de Mozar concedida em fevereiro de 1999 ao Informativo O Senhor da Canoa.I  

Como foi Mozar, da infância a juventude?I 

Tive uma infância com alternâncias de sofrimento e alegria. Passei fome, muita fome. Naquele tempo a alimentação básica do nordestino pobre era farinha. Com ela dava-se sempre um jeito, bastava um punhado de feijão e bastante água na panela. Sal, pimenta e o complemento da farinha: estava feito o prato com volume suficiente para tapear o estômago por muitas horas. Quando faltava a farinha não havia saída, era curtir a fome. Nesses momentos eu, como filho mais velho, saía pela rua apanhando caroços de jaca que eram jogados fora pelos fregueses das bodegas. Em casa, minha mãe cozinhava os caroços, socava no pilão e aquela massa era aceita no prato como substituta da farinha. Esse era o lado triste. Em compensação, valorizei ao máximo todas as brincadeiras do mundo mágico da criança. Fascinava-me empinar um papagaio e vê-lo no céu fazendo trejeitos e dando cambalhotas a um simples manejo meu. Era impecável no disparo de uma bola de gude para o buraco. Pegar sabiá na arapuca, pescar e tomar banhos memoráveis na lagoa. Na juventude fui muito sonhador, como tantos jovens.I 

 Como foi a sua passagem como funcionário do Banco do Brasil?I 

Quando iniciante eu passava o dia todo datilografando ficha de cobrança, por isso me chamavam de “Fichinha”, quando trabalhei em Campina Grande. Fui chamado para trabalhar no contencioso como secretário dos advogados do Banco. Em pouco tempo eu estava indo sozinho com o motorista nas comarcas ver os processos de interesse do Banco. E graças a essa regalia fiquei conhecido em boa parte do Estado da Paraíba.I 

 De todos os mestres que cooperaram com o seu aprendizado, qual foi aquele que jamais esqueceu?I 

 Respondo prontamente sem nenhuma hesitação: Oscar Magalhães. Aliás, ressalvada a participação da simpática Dona Maroca Perdigão, que ensinava as primeiras letras a todos os ubajarenses. Oscar foi o meu único mestre numa longa convivência que, com pequenos intervalos, se estendeu da infância até a mocidade. De uma família de intelectuais, ser humano de qualidades raras, vocação para o ensino a toda prova, sua influência, como não podia deixar de ser, foi decisiva na minha formação. Vou contar uma proeza que fiz. Titular do 2º cartório de Ubajara por nomeação vitalícia mediante concurso, resolvi, aos 25 anos, levado pela grande frustração de um intenso amor vivido e bruscamente interrompido, abandonar tudo e me transferir para Fortaleza levando como única bagagem a coragem e os conhecimentos transmitidos pelo Mestre Oscar. Lá, ingressei na Sul América Cia. de Seguros, mediante concurso e, poucos meses depois surgiu o concurso para o Banco do Brasil, que, naquele tempo era uma das carreiras mais cobiçadas no país. Éramos mais de 600 candidatos, muitos portadores de diplomas de curso superior. E eu, sem ter nem o primário, no meio daquelas feras. Realizado o concurso, meses depois veio o resultado: 12 aprovados, entre os quais estava o ubajarensezinho que passou em segundo lugar com 80,6 pontos, perdendo apenas para outro que alcançou 80,8 pontos. Dito isto, não preciso falar mais nada sobre quem foi para mim Oscar Magalhães.I 

Como surgiu a ideia de doar 400 banheiros para a comunidade do Bairro São Sebastião, ambulância e material cirúrgico para o Hospital de Ubajara?I 

Eu sempre tive muita vontade de fazer alguma coisa para as pessoas humildes da minha terra, certamente por ter sentido na própria carne a dor da fome. Várias tentativas fiz sem sucesso por falta de apoio das pessoas, com muito apego a seus próprio interesses e uma andorinha só não faz verão. Nesta investida que fiz agora, quando em mais uma tentativa em vão de organizar uma entidade com fins filantrópicos, nos vários contatos feitos tomei conhecimento de que a um bairro muito populoso de muita pobreza havia sido estendido o abastecimento de água. Tive então a intuição de que aquela gente podia estar sem condições financeiras de usufruir essa dádiva por falta de um banheiro. Comuniquei-me com meus primos José Cunha Freire e Nizinha Pimentel Cunha, esse casal maravilhoso que é tocado também por essa irresistível inclinação para ajudar os que precisam. Ambos me ajudaram a realizar o Projeto Esperança. Já pensou o que é uma família convivendo em condições subumanas, com dejetos espalhados pelo quintal ou até mesmo pela casa, e de repente, se ver livre dessa humilhação, dispondo de um banheiro com todos os requisitos sanitários exigidos? Quanto as doações para o Hospital e Centro de Nutrição, advieram do total abandono em que se encontravam aquelas unidades que, agora, dispõem de instrumentos hospitalares e de uma ambulância equipada para atender a população.I

2 تعليقات »

  • Antonio M. Oliveira said:

    Oportuna a lembrança das ações deste grande ubajarense. Que seu exemplo motive as pessoas a perderem a vergonha de ajudar seus semelhantes. Mas é bom lembrar que existem pessoas nesta cidade fazendo um trabalho voluntário de auxílio aos mais carentes, que bem poderiam servir de matéria para este jornal.

  • Monique Gomes (author) said:

    Oi, Antônio. É admirável a história do ubajarense Mozar, por isso eu resolvi homenageá-lo, para que os ubajarenses se sentissem igualmente exaltados através dele. Acho que ficou claro que a homenagem não é pelo fato dele ser um homem de posses, mas sim pelo fato de ter um bom coração. Se você tiver sugestões de matérias, envie para o e-mail do Jornal: folhaubajarense@yahoo.com.br

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