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Primeiro a reforma moral, depois a política – por Fábio Barros

أرسلت بواسطة Monique Gomes في terça-feira, 30 agosto 20115 تعليقات

A dificuldade em determinar os limites da reforma política é um dos fatores que impossibilitam a sua realização. Não estou aqui para tentar traçar todos os seus pontos. Não é esse o foco do artigo.I

Gostaria de focar apenas naquilo que considero fundamental: uma maior democratização do poder e a conscientização moral da sociedade.I

A constituição garante que todo poder emana do povo, diretamente ou por meio de seus representantes. Beleza, massa! O que acontece é que os meios de participação direta são quase ineficazes. Quantas leis foram aprovadas por meio de iniciativa popular? Dá para contar nos dedos (de uma única mão!). De qualquer forma, o problema não são somente as leis. Na verdade, o problema maior está no não cumprimento delas.I

A reforma política no Brasil não será implementada facilmente. Trata-se de uma quase utopia, pois os maiores prejudicados serão os políticos corruptos, que não querem “largar o osso”. E esses são muitos!I

O voto distrital, “o distritão” precisa  ser implementado. Isso colocaria o deputado,  mais próximo do seu eleitor…assim ele seria cobrado mais de perto.I 

O sistema proporcional é uma vergonha, pois permite por meio dessa imoralidade chamada “coeficiente eleitoral” que seres estranhos e populares elejam outros mais estranhos ainda,  que ninguém conhece. Por vezes, impede que bons candidatos de partidos pequenos deixem de ser eleitos, mesmo tendo uma massa de votos muito maior. Trata-se de uma “democracia ao avesso”. E não me venha falar de enfraquecimento de partido. Isso é ladainha de politiqueiro. O pluralismo político é fundamento constitucional e prega a livre ideologia partidária.I

O “recall”, um sistema de origem americana em que o povo pode cassar o mandato de políticos diretamente pelo voto, sem interferência do legislativo, seria uma boa mudança. Temos o poder de colocar o candidato “legal”, “gente boa” , que, após ser eleito, dá as costas para o povo, mas não temos o poder de retirá-lo de lá. Daí, o sujeito sujo tem quatro ou oito anos para se esbaldar com a receita pública. É muito tempo para quem está mal intencionado, não é?I

O sistema político que deveria se encarregar apenas da governabilidade, com embasamento nos princípios constitucionais, não está sendo capaz de conter a cultura da corrupção, arraigada no sangue do brasileiro há séculos. Sérgio Buarque de Holanda detectara isso há décadas, quando escreveu “Raízes do Brasil”, mostrando toda a nossa cultura podre pelo poder, pela particularização da coisa pública. Isso se estende desde a União Federal até o nosso querido município de Ubajara, onde os governantes fazem do estado o quintal da sua casa.I

Não sou um pessimista em potencial. Acho que a saída não é a rodoviária ou o aeroporto. O que estamos passando não é por uma crise simplesmente política, não é por uma crise simplesmente institucional onde, por exemplo, um promotor público se corrompe, tornando-se um completo banana, incapaz de se indispor com os poderosos diante de tantos fatos notórios.I

Licitações fraudulentas, empresas construtoras fantasmas, obras superfaturadas, já estão se tornando formas quase “legais” de desvio de dinheiro público nos pequenos municípios. Tudo isso existe porque nós, na verdade, estamos passando por uma crise moral. Os políticos perderam a vergonha!I   

Mesmo os mais incorruptíveis, aqueles em que acreditávamos, bastando uma sobra de poder, alteram o seu caráter. Chego a conclusão que todo mundo é um corrupto em potencial. A diferença é que a educação paterna modula até quanto cada um pode suportar a tentação.I

Precisamos, antes da reforma política, implementar a REFORMA MORAL.I

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Primeiro a reforma moral, depois a política, por Fábio Barros, natural de Ubajara, formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, formado em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Servidor Público Federal na Superintendência da Polícia Rodoviária Federal, em Fortaleza. Os artigos aqui publicados não representam necessariamente a opinião do Jornal Folha Ubajarense. Envie seu artigo para o e-mail da Redação: folhaubajarense@yahoo.com.br

5 تعليقات »

  • Vigevando said:

    Excelente texto!
    Concordo plenamente que antes de qualquer reforma política é necessário uma reforma moral. Aristóteles, filósofo grego, já dizia que a política é uma continuação da ética, só que aplicada à vida pública. Mas é preciso acabar com alguns vícios do próprio cidadão, acostumado por muito tempo com uma política paternalista. Isto é, acaba votando no candidato que o beneficie particularmente com uma dentadura, um litro de cana, etc. A corrupção já começa daquele que se diz cidadão, mas muitas vezes, esse é passivo, covarde diantes das decisões políticas. Diga-se de passagem, um “analfabeto político”, que não tem consciência de sua participação na política. Se diz honesto, mas no fundo é um tremendo covarde, pois não luta pelo “Bem Comum”. Gostei muito quando foi mencionado no texto que devemos votar naqueles candidatos próximos a quem podemos cobrar. Isso mesmo, está na hora de nós ubajarenses, Ibiapabanos sair um pouco da alienação da mídia, e pensarmos em eleger um candidato que nos represente na Câmara dos deputados. “Gente da Terra” da nossa Ibiapaba.

  • veronica said:

    Concordo com Fábio e vejo que o processo começa a surgir neste momento. Há movimentos acontecendo na Web, convocando brasileiros a encontros de protestos contra corrupção em praças públicas. Dia 7/9 em Brasília e dia 20/9 no Rio de Janeiro – correm na rede. Já é um bom começo. Por conseguinte, se cada um de nós em casa , com os nossos filhos inciarmos uma educação de repúdio às coisas erradas (estacionar em local proibido, não beber antes de dirigir, dar vez ao pedestre, devolver uma carteira perdida etc) estaremos formando uma nova geração de pessoas corretas. É preciso ter esperança de dias melhores, e esta esperança está em nossas mãos.
    Gostei da parte do ‘recall’ – seria mesmo sensacional se pudéssemos retirar o Sarney (Uh!), o Maluf, e tantos outros. !!!!

  • Agildo Siqueira said:

    Dizem que a beleza da democracia, é que o pensamento de um, tem o apoio de uma maioria. Já que o poder “emana do povo”, como esta na nossa constituição. Mas aqui no Brasil isso não ocorre de fato, já que a grande maioria dos nossos eleitores é de analfabetos políticos.

  • Alex Cunha said:

    Excelente texto meu amigo Fábio

  • FABIO BARROS said:

    Alex, nosso filósofo! Estamos sempre em busca da verdade, mesmo sabendo que ela não existe!!

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