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A casa de Ubajara, por Saulo Barreto

أرسلت بواسطة Monique Gomes في segunda-feira, 16 janeiro 2012تعليق واحد

Se tem algo mais prazeroso, que é capaz de encher meu cérebro de bons fluidos é, sem dúvida, o momento de estar reunido com parte da minha família materna, na casa de Ubajara. Essa reunião familiar existe desde minha pequenice, graças ao esforço conjunto das quatro irmãs, Ana Zélia, Amália, Maria Alice e Maria Cesarina. Elas, por morarem em cidades diferentes, sempre tratam de organizar a junção de suas respectivas famílias em uma outra só, bem maior, fazendo jus a expressão: “A família só se junta quando se separa”.I

O encontro ocorre quase que anualmente, havendo a confraternização e comunhão dos entes mais próximos, não só pela consanguinidade mas, principalmente, pela afinidade. Participam dele, tios, tias, primos, primas e casais da nova geração.I

O cantinho perfeito para esse momento fica em Ubajara, uma cidadezinha situada na amena serra de Ibiapaba, logo ali depois da divisa do Estado do Piauí com o Ceará. Nosso aconchegante sítio fica em um local privilegiado, à beira de uma estrada asfaltada que leva os visitantes de todas as partes para conhecerem o Parque Nacional de Ubajara. O cenário que o lugar dispõe é impressionante, no topo de uma serra verdejante, se desfruta de uma vista com um ângulo privilegiado dessa linda imensidão que a natureza oferece. Logo abaixo, pode-se observar algumas formações rochosas e que das quais os turistas têm a chance de conhecer uma maravilhosa gruta cheia de mistérios e surpresas.I

Quanto à nossa casa, pode-se dizer que é uma construção bem rústica e antiga, uma das poucas na região com esse estilo arquitetônico. Foram construídas duas delas por iniciativa do Sr. Chico Pinto, ex-prefeito da cidade, que, logo depois, vendeu uma para nossa família. Ela é toda circundada por enormes jaqueiras e frondosos pés de manga, equidistantes uns dos outros.I

Já seu interior, até pouco tempo, existiam algumas poucas fotos nas paredes, as quais já desapareceram, perecidas pelo tempo. O piso ainda é original, da época dos nossos antepassados, de tijolos feitos de barro, inclusive, toda vez que entro nela, esse mesmo chão exala um cheiro característico e único de antiguidade. Sinto esse odor desde as primeiras vezes que estive por lá, cujo o qual dificilmente sairá da minha memória. Hoje, nosso reduto fraternal passa por reformas urgentes, seu telhado está quase completamente comprometido. Porém, o esforço para mantê-lo em bom estado, é também o mesmo que estar preservando a memória da família, que não abrirá mão desse bem por um bom período.I

Nessas andanças que tivemos por lá, pudemos ainda presenciar uma das últimas visitas que minha avó Margarida fez antes de ser levada pelos os anjos para o lado de Deus. Ela, já debilitada fisicamente e acometida em alto grau pelo mal de Alzheimer, certa vez uniu forças para fazer um gracejo para sua descendência. Puseram-na uma peruca de fios longos e pretos, e ela, sentada em uma cadeira, se esforçou para imitar sei lá quem, arrancando risos de todos que a observavam. Certamente, a memória recente que lhe faltava naquele momento não a privava de sentir a atmosfera benéfica que aquele local incidia sobre nós.I

Inúmeros “causos” e acontecimentos nos acompanharam nessas idas e vindas, muitos deles promovidos especialmente pelos primos mais traquinos que não exitavam em pôr em prática as suas má-criações. Era comum, por exemplo, alguns dos primos mais velhos promoverem, imotivadamente, brigas entre os menores, mais inocentes. Por vezes, foram entoadas incontroladas gargalhadas na hora da reverente reza, comum antes de toda ceia natalina. Por fim, até uma bolada na cabeça de uma idosa distraída aconteceu, depois que ela se atreveu a passar no meio de uma pelada fora de hora.II

Enfim, são coisas pequenas que farão parte de nossas vidas e de nossa história enquanto houver alguém para rememorá-las. Tenho fé de que os descendentes, dos quais faço parte, possam dar sempre prosseguimento a essa confraternização familiar divina. Torço, ainda mais, para que todos esses sentimentos vivenciados de união, amor e cumplicidade, que mantêm os laços da família sempre atados e firmes, sejam transpassados de forma integral por gerações e gerações que hão de existir, principalmente no sentido de dar continuidade ao que realmente tem valor em nossas vidas.I
Saulo Barreto Lima Fernandes, Educador Social

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  • Ana Rios said:

    Lendo esse texto, onde percebe-se tamanho sentimento e ternura por um passado que se faz presente e feliz, dá uma enorme vontade de fazer parte, mesmo utópicamente, disso tudo!

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