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Club FM entrevista membros do Conselho Tutelar de Ubajara

أرسلت بواسطة Monique Gomes في terça-feira, 6 outubro 2009لا تعليقات

conselho tutelar

O grupo de conselheiros falou das principais prioridades no trabalho, mencionou casos de usuários de craque, denúncias de maus tratos com crianças e muito mais.I

 Tomas Filho – Hoje vamos falar de um assunto muito sério que é sobre o Conselho Tutelar. O Conselho Tutelar de uma cidade é um órgão que visa resguardar os direitos da criança e do adolescente.I

Ricardo – Sem dúvida. Embora tenha muitas denúncias de menores infratores, maus tratos, existe também essa questão da assistência aos menores, como ele está sendo tratado, se está na escola, tudo que há de melhor para eles. I

 Tomas Filho – Eu observei a presença do Conselho Tutelar na última sessão da Câmara de Vereadores onde vocês fizeram um apelo sobre a situação da falta de estrutura física para se fazer um bom trabalho.I

 Jairo – Sim, estivemos na sessão mais uma vez pedindo o apoio dos políticos do legislativo no que diz respeito a estruturar melhor o Conselho Tutelar. A prioridade da nossa necessidade hoje é um carro, não é mais um transporte, porque transporte pode caracterizar moto ou bicicleta, mas um carro mesmo, para que nosso trabalho saia a contento de quem está sendo beneficiado. Um carro contribui para resguardar mais e dando mais viabilidade ao trabalho. Outra necessidade que a gente tem é a sensibilidade das pessoas que precisam de nós. Funcionamos em um prédio que contém uma escada e as pessoas precisam entrar em contato com a gente, as vezes uma ligação não resolver, a pessoa tem que ir lá, e lá fazemos audiência de conciliação e enfim, crianças, idosos e muitas vezes pessoas que acabaram de passar por uma cirurgia têm dificuldade do acesso. Então, achamos que aquele prédio não está muito adequado ao trabalho. Além dessas prioridades, precisamos ter um fundo pra ser usado em alguns momentos, pois precisamos nos deslocar para outros municípios levando menor, e é preciso um alimento, uma água, usar um banheiro, e vc sabe que tudo é pago, tá faltando assim que se legalize, que se vote uma lei, crie um fundo para momentos como esses.I

 Tomas Filho – A meu ver os Conselhos Tutelares só poderiam ser formados quando todos os membros passassem por um treinamento, principalmente psicológico, porque vocês sabem que tem horas que é pesado, eu vi um caso de uma pessoa que por pouco não teve a garganta cortada saindo do Conselho.I

 Jairo – Sim, inclusive esse caso foi ocasionado por um menos. Acontece cada barbaridade que não temos como falar por conta da ética profissional. Somos seres humanos e acabamos absorvendo essa carga, acabamos levando o problema pra casa, pra nossos familiares, muitas vezes eu digo que minha esposa é a sexta conselheira, porque em muitas situações ela assume praticamente só os meus filhos e eu tenho que cuidar do filho dos outros, eu e meus colegas. Na exposição trabalhamos para que tudo saísse na legalidade, tiramos praticamente um estoque de cachaça que conseguimos pegar de alguns menores e vimos realmente a necessidade do conselho estar ali. Os promoventes de eventos aqui em Ubajara tem que ter consciência de ter que se estruturar melhor, não é fazer e jogar a responsabilidade do Conselho, até porque a gente poderia apenas fazer um relatório. É uma transferência muito grande pro Conselho. Quem promove o evento deve atentar pra isso. Nós estamos fazendo até esse papel de corpo a corpo. É esse tipo de apoio que a gente quer também, evitando causar um problema.I

 Tomas Filho – E a situação dos bares, a presença de menores em bares é uma coisa impressionante.I

 Jairo – Temos uma parceria com a Polícia Militar e fazemos blitz, eles disponibilizam um rádio pra gente quando precisamos. Muito boa essa parceria. Visitamos bares, casas de prostituição vendo se tem menor, tudo pra tentar inibir essa atividade criminosa.I

 Tomas Filho – Tem gente que pensa que o CT só atua onde a classe econômica é um pouco menos favorecidas, mas não, eles atuam em todas as classes, média, alta, em todas. Achei muito importante vocês abordarem esse assunto na Câmara, mas o que a gente precisa na realidade é de compromisso.I

 Jairo – Com certeza, a responsabilidade é de todos e eu gostaria de ressaltar aqui uma situação, pois a gente estava tentando conseguir um carro pra resolver um caso e nesse dia houve um desencontro que não deu certo conseguir o carro, e um cidadão que foi o Prof. Eriberto emprestou o carro dele. Achei impressionante a atitude dele, é um ato mesmo de cidadania. Agradecemos muito o apoio do coordenador dos transportes, porque durante a exposição agropecuária ajudou muito, deixamos menores embriagados em casa e até mães que deixaram crianças em casa e foram pra festa, casos em que a gente já tinha até conhecimento.I

 Tomas Filho – Inclusive vocês podem até efetuar o ato de prisão nesse caso.I

 Jairo – Sim, só não chegamos a esse ponto por causa das crianças e ainda porque a polícia estava em greve. Deixar uma criança só pode ocasionar vários tipos de acidentes, por isso que eles se chamam incapaz, porque eles não têm capacidade de viver só. O que temos observado muito são menores pilotando moto, e estão começando a entrar na bebedeira, o que não é uma combinação boa. Infelizmente presenciamos na exposição vários casos de menores bebendo com adultos, inclusive o pai, e as pessoas têm que entender que menor não pode, tem que atingir a maioridade. Não importa a presença do pai ou da mãe, é menor. O Conselho Tutelar não está pra perseguir ninguém, somos imparciais, então não se sinta perseguido.I

 Tomas Filho – O craque hoje é sem sombra de dúvida a droga do século e infelizmente adentrou em todos os municípios no Brasil, conforme uma pesquisa feita, vocês tem muito problema com isso?I

 Jairo – Olha, a gente poderia até dizer que bom que não se usa mais maconha, mas infelizmente há o uso do craque. Não temos muito trabalho, mas existem casos assim com menores. Como a gente sabe que esse problema não é ocasionado pelos menores, pois eles são vítimas de traficantes, então a gente tá mais pra dar o apoio a polícia civil, que é quem faz esse trabalho de investigação. Quando se fala na questão da droga, entra o trabalho da polícia. A gente entra nesses casos quando a polícia já tem feito esse trabalho de investigação.I

 Tomas Filho – Já vi casos em que uma grávida estava pedindo dinheiro pra usar o craque, e que ela mantinha relações com o companheiro na frente das crianças.I

 Jairo – Sim, isso tem mesmo. Teve o caso de uma senhora viciada e Dr Fábio me deu o telefone de uma clínica em Itapipoca, mas antes de encaminhar ela melhorou com ajuda de uma psicóloga. Tem uma mãe que recebe o benefício de um filho, ela deixa o cartão na mão do traficante pra consumir droga e quando passa do valor do benefício eles colocam ela numa roda e bate. O benefício que era para o próprio filho ela não tá mais nem enxergando, tudo para financiar o próprio vício.I

 Tomas Filho – Jairo, qual é o salário de um conselheiro?I

 Jairo – Bem, há três meses atrás foi votado um projeto e nosso salário bruto ficou em torno de 700 reais. Por conta de ser um cargo eletivo, não temos acesso a determinados benefícios como 13º e férias. A gente sabe que esse é um trabalho de risco como qualquer outro ou até mais, e às vezes barra nesses entraves.I

 Tomas Filho – Sobre a criação do fundo, seria importante a presença dos vereadores na criação de um projeto incluindo os órgãos de fiscalização. Quando se fala em fundo logo se imagina que alguém será beneficiado com esse dinheiro, o que em muitos casos não é verdade.I

 Jairo – Esse fundo poderia muito bem ser administrado pelo próprio Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, não tem necessidade do Conselho Tutelar administrar diretamente. O pessoal do CMDCA foi na Câmara pedir a indicação de dois nomes de vereadores para participar das reuniões para discussão do conselho, mas até agora ninguém se prontificou.I

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